Última hora

Última hora

"Quadriga" de credores em Atenas e Tsipras pressionado por... Varoufakis

Com as instituições credoras internacionais — Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia, a que se junta

Em leitura:

"Quadriga" de credores em Atenas e Tsipras pressionado por... Varoufakis

Tamanho do texto Aa Aa

Com as instituições credoras internacionais — Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia, a que se junta agora o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) — já em Atenas para começar a trabalhar no novo plano de resgate para a Grécia, o terceiro em cinco anos, o primeiro-ministro esteve esta segunda-feira na sede do Syriza, o partido do Governo, a apelar à união dos respetivos deputados no Parlamento.



 

"Quadriga"?

Antes conhecidos como "troika", em janeiro deu-se um chamado "restyling" (mudança estética) da denominação do trio de credores internacionais. Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) passaram a ser oficialmente designados como "as instituições". O nome, contudo, tinha pouco "sex appeal" para os meios de comunicação e a designação "troika" continuava a ser usada amiúde. Com a entrada do Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) para a "equipa" dos credores internacionais, a imprensa grega começou a apelidar "as instituições" como "a quadriga", termo que designa um veículo de tração animal puxado por quatro cavalos. O jornal Expresso adiante que o portal grego News.gr defende que a autoria da nova designação não oficial das "instituições" se deve a Jean-Claude Juncker, o próprio presidente da Comissão Europeia.


O novo plano de reformas, a ser finalizado a partir desta terça-feira, terá de ser ainda votado pelos deputados da assembleia helénica e a possibilidade de não haver consenso está a ganhar força. Mesmo dentro do Syriza, o partido do Governo parece haver divisões e Tsipras procura evitar perder a maioria parlamentar, a qual depende ainda do apoio de outras forças políticas.

A dificultar os esforços de Tsipras surge a mais recente polémica levantada no fim de semana pelo jornal Kathimerini. O diário noticiou que o antigo ministro das Finanças, Yannis Varoufakis, já estaria a trabalhar desde dezembro — antes mesmo de chegar ao Governo — num plano B de regresso ao dracma caso a Grécia tivesse de deixar o euro. Esse plano B incluiria uma eventual “espionagem” da página de internet da Secretaria-geral das receitas públicas.

Varoufakis já reagiu e garantiu que os que o acusam estão a recorrer “à imaginação” para o difamar quando alegam que o agora mero deputado do Syriza pretendia piratear os números fiscais dos cidadãos gregos.



A notícia de sábado teve por base uma gravação na qual Varoufakis admitia que havia sido o então líder do Syriza e agora primeiro-ministro, Alexist Tsipras, a “dar luz verde para avançar com o plano B”. A oposição exige saber se Tsipras tinha ou não conhecimento do plano em andamento.

Na rua, entretanto, os gregos lamentam o iminente agravar das dificuldades com a aprovação do novo plano de resgate. Yannis Haniotis, um empresário de 52 anos, garante mesmo que vai “desistir” e parar de trabalhar só para pagar impostos. “Já chega. Gostava de saber que tipo de receita o Estado vai conseguir quando já ninguém trabalhar”, perspetivou, em jeito de aviso.

O pensionista Kostas mostra alguma admiração pela “luta” que Tsipras deu aos credores internacionais, mas lamenta o resultado: “Foi uma luta muito boa, a que ele deu. Foi o único a revelar este tipo de resistência, mas qual foi o resultado? Zero. É uma pena, mas este é o resultado: zero.”

A Grécia continua a viver dias de incerteza. Com o novo plano de resgate, os credores internacionais começam esta terça-feira em Atenas a preparar as medidas que permitam o novo empréstimo. Um novo plano de resgate deverá implicar ainda mais austeridade.

A presidente da Associação de bancos gregos defende que mais austeridade fiscal não foi e não será a solução para a Grécia. “O problema da dívida externa da Grécia foi transformado num problema de dívida privada grega e agora a maior parte das famílias não consegue pagar os impostos, a segurança social, os empréstimos das casas… É por isso que, como economista, não vejo que este tenha sido o programa mais apropriado para a Grécia”, alegou Louka T. Katseli.



O novo pedido de empréstimo internacional da Grécia foi imposto por Bruxelas a 13 de julho, com o primeiro-ministro Alexis Tsipras a comprometer-se com mais austeridade, algo a que o Syriza tinha prometido pôr fim e que valeu o triunfo nas eleições de janeiro. Na semana passada, Atenas fez chegar ao FMI o pedido formal para que o organismo liderado por Christine Lagarde entre nas negociações do novo resgate.

Em 17 de julho, a Comissão Europeia acordou um financiamento temporário de 7,16 mil milhões de euros à Grécia para evitar o incumprimento face ao BCE, que a 20 de agosto tem de ser reembolsado em mais 3 mil milhões de euros.

Em setembro, é o FMI que tem de receber mais 1,5 mil milhões de euros. A falta de liquidez e a dificuldade em recuperar poderão levar a uma reestruturação da dívida, mas tudo estará dependente dos passos que o próprio governo e parlamento helénicos venham a dar.