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Turquia: A ofensiva antiterrorista e a questão curda

O atentado do dia 20 de julho em Suruç, uma cidade turca de maioria curda, marcou uma viragem na política de Ancara relativamente ao autoproclamado

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Turquia: A ofensiva antiterrorista e a questão curda

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O atentado do dia 20 de julho em Suruç, uma cidade turca de maioria curda, marcou uma viragem na política de Ancara relativamente ao autoproclamado Estado Islâmico (Daesh). O ataque contra um grupo de jovens que se preparava para partir para Kobani, do lado sírio da fronteira, fez 32 mortos e uma centena de feridos.

Os guerrilheiros separatistas do PKK, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, acusaram o governo central de fechar os olhos às atividades dos jihadistas, para prejudicar os curdos da Síria, e de não proteger os curdos da Turquia. Em represália ao atentado de Suruç, o PKK reivindicou vários ataques mortais contra polícias turcos. Ancara fez então descolar os seus aviões para bombardearam as bases de retaguarda do PKK nas montanhas do norte do Iraque. Foi o fim da trégua que durava há três anos.

Vários analistas consideram que a operação antiterrorista contra o Daesh e o PKK serve os interesses eleitorais do presidente Erdogan. O país não conseguiu formar um governo desde as eleições legislativas de junho e está à beira de um sufrágio antecipado. O voto curdo roubou a maioria absoluta ao partido do presidente. Erdogan pôs fim ao processo de paz e endureceu a posição perante o PKK.

São muitas as vozes que dizem que o objetivo de Ancara é impedir que os curdos da síria estendam o seu território no norte do país vizinho. As vitórias nas batalhas contra o Estado Islâmico em Kobani e em Tall-Abyad permitiram às milícias curdas controlar metade dos 900 quilómetros de fronteira entre os dois países. Ancara receia uma continuidade territorial até Afrin que permitiria criar um Curdistão sírio às portas da Turquia.

No plano interno, o partido do presidente pode estar em busca de uma radicalização do partido HDP. Se o partido curdo extremar o discurso pode acabar ilegalizado, o que iria beneficiar o AKP que governa a Turquia desde 2002. A perda da maioria absoluta foi um golpe duro para o partido dirigido oficialmente pelo primeiro-ministro Ahmet Davotoglu e para as aspirações de Erdogan que deseja mudar a constituição para transformar o regime e fazer do presidente o chefe do executivo.