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Recorde dramático de vítimas civis no conflito armado do Afeganistão

O número de vítimas civis do conflito armado no Afeganistão atingiu um novo recorde e aproximou-se das 5000 na primeira metade deste ano face aos

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Recorde dramático de vítimas civis no conflito armado do Afeganistão

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O número de vítimas civis do conflito armado no Afeganistão atingiu um novo recorde e aproximou-se das 5000 na primeira metade deste ano face aos últimos sete anos. No relatório semestreal publicado pela Missão das Nações Unidas para o Afeganistão (UNAMA, na sigla inglesa), o número de vítimas civis subiu 1 por cento face ao mesmo período (janeiro-junho) do ano passado e fixa-se agora nos 4921.

O destaque vai para o agravamento do número de vítimas civis entre crianças e mulheres. O primeiro grupo registou um aumento de 13 por cento, passando de 1123 (323 mortos/ 800 feridos) da primeira metade de 2014 para 1270 (320/ 950) nos primeiros seis meses de 2015 – salientamos a ligeira descida no número de crianças mortas este ano, mas lamenta-se o agravamento do registo de feridas. Em média, uma em cada quatro vítimas civis deste conflito armado é uma criança.

[ Consulte aqui, no PDF original em inglês, o relatório da UNAMA ] (Este tipo de dados apenas começaram a ser compilados em 2009, não havendo por isso registos comparáveis anteriores)

Entre as mulheres, o agravamento foi de 23 por cento, passando de 455 (153/ 302) para 559 (164/ 395), o que representa 11 por cento da globalidade de vítimas civis do conflito armado — no ano passado, entre janeiro e junho, foram 9 por cento. Em média, por cada semana da primeira metade deste ano, mais de 21 mulheres são mortas ou ficam feridas na sequência de atos de violência relacionados com o conflito armado afegão.

Desde 1 de janeiro de 2009 até 30 de junho deste ano, a UNAMA registou um total de 52.653 vítimas civis do conflito civil afegão: 19.368 mortes e 33.285 feridos).

Na apresentação dos números, a diretora da missão afegã da ONU explicou as principais causas deste recorde de vítimas. “A larga maioria — cerca de 90 por cento — resultaram de confrontos no terreno, explosivos improvisados, ataques suícidas e organizados, e assassinatos seletivos”, especificou Danielle Bell.



Nas ruas, o sentimento é de que as políticas seguidas em Cabul, a capital afegã. “Infelizemente, o estado da segurança está pior. As pessoas estão muito preocupadas com este deteriorar da segurança no nosso país”, garantiu Ghulam Maideen, um residente de Cabul. Um outro, Bashir Khan, admite mesmo ver rebeldes no governo: “Apelámos aos talibãs para parar a guerra e baixarem as armas. Eles devem juntar-se ao governo e trabalhar em prol da estabilidade e da segurança no Afeganistão.”

Quanto aos talibãs, o momento interno também não é pacífico. Após a confirmação na semana passada da morte do “mullah” Omar, o grupo rebelde afegão anunciaram como novo líder o “mullah” Akhtar Mansur. No entanto, a família do “mullah” Omar recusa prestar lealdade ao aclamado novo líder dos talibãs.

Há 14 anos que os talibãs estão em conflito com o governo sediado em Cabul. Dezembro marcou o fim da missão de combate da NATO no Afeganistão e, desde então, o exército afegão e as forças policiais estão a enfrentar sozinhos os grupos rebeldes islâmicos antigovernamentais, que incluem em especial os talibãs. No país, ainda assim, mantém-se cerca de 13 mil tropas estrangeiras, mas mobilizadas apenas para missões de formação dos homólogos afegãos.