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Canal do Suez em destaque

O Egito inaugurou a extensão de uma rota essencial no comércio mundial. A expansão do Canal de Suez é resultado do grande empenho do Presidente

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O Egito inaugurou a extensão de uma rota essencial no comércio mundial. A expansão do Canal de Suez é resultado do grande empenho do Presidente Al-Sisi para tirar o país da crise, assumindo-se como sucessor natural de nasser. Reportagem da televisão suíça TSR:

Point of view

Canal do Suez: A esperança de todos é reavivar a economia egípcia. O objetivo é duplicar, até 2023, tanto o tráfego dos barcos como as receitas geradas.

Ninguém pensou que o projeto seria concluído tão depressa. No entanto, menos de um ano depois do início da construção, o Canal de Suez já tem uma segunda via navegável. A proeza foi resultado da vontade de um homem, o presidente Abdel Fatah al-Sisi. Aqui o vemos como um faraó a desfilar num orquestrado passeio nautico.

Presidente egípcio:

- Os egípcios fizeram um grande esforço para oferecer este presente ao país, ao mundo, à humanidade. Um presente para a prosperidade e para a engenharia. I, Abdel Fatah al-Sisi, presidente da República Árabe do Egipto, declaro a reabertura do Canal de Suez. Viva o Egito!

O Canal de Suez é, acima de tudo, um eixo estratégico e comercial que liga o Mar Vermelho ao Mediterrâneo. É uma das vias navegáveis ​​mais imporantes do mundo. Também é um poderoso estimulante para o orgulho nacional e, portanto, um instrumento político. Al Sisi compreendeu-o, embora não tenha sido o primeiro.

Em 1956, Gamal Abdel Nasser, acabado de chegar ao poder nacionalizou o canal, até então sob controle franco-britânico, com o objetivo de revitalizar a economia e, ao mesmo tempo, reforçar o mandato, avivando o nacionalismo contra a ameaça do islamismo.

O presidente atual reproduz a estratégia. As receitas do turismo caíram desde a revolução. E os ataques islamitas sucedem-se. Para Abdel Fatah al-Sisi é urgente transformar a areia do canal em ouro, mas também em cimento para unir a nação.

A cerimónia refletiu o orgulho nacional dos egípcios no fim de um projeto extraordinário. E, por ordem do presidente, os trabalhos foram realizados com uma velocidade surpreendente. A France 2 foca as etapas desta obra colossal:

Uma cerimónia espetacular à imagem do lançamento da obra, há um ano, pelo presidente egípcio Al-Sisi. Face às camaras de TV, uma coreografia de retroescavadoras e bulldozers. As máquinas trabalharam até ao último momento, antes da festa.
Os engenheiros e operários ganharam a aposta: realizaram a obra em tempo recorde, num ano, em vez do três planeados. Custou 7,5 mil milhões de euros, financiados, em grande parte, pelas poupanças dos egípcios.

Com 145 anos de idade, o canal estava estreito. Demorou alargar nalguns pontos, principalmente onde foi preciso cavar uma nova via de 35 km. Até agora o canal só dava para um sentido único, obrigando os barcos a circular alternadamente. Perdia-se um tempo precioso. A nova via permote aos barcos a viagem em duas direções.

A obra colossal é agora o orgulho dos egípcios:

- É como num sonho. Ninguém acreditava numa realização tão rápida.

- Este novo canal é, para nós, como uma quarta pirâmide e vai impulsionar o investimento estrangeiro no país.

A esperança de todos é reavivar a economia egípcia. O objetivo é duplicar, até 2023, tanto o tráfego dos barcos como as receitas geradas.

Mas há um lado negativo. A ameaça do autoproclamado Estado Islâmico, que tem combatentes a cerca de 170 km, no Sinai.
As autoridades egípcias fiezarm tudo para garantir a segurança, com medidas draconianas.

O Cairo quer duplicar o tráfego nos próximos anos, mas os especialistas são menos otimistas. Alguns apontam para um um custo muito grande do desespero, um desperdício, alé de que o crescimento do comércio mundial estagnou. As questões económicas com a TVE, televisão nacional espanhola:

Maior e mais amplo, eis o novo Canal do Suez. Representantes de uma centena de países, com segurança reforçada, testemunharam esta segunda renovação, um século e meio depois da primeira. Através do canal, a navegação pode agora, passar de 50 para 100 barcos por dia. Duas vezes mais depressa.

- Vai ser positivo para os barcos, porque vão economizar tempo e tempo é dinheiro. Nós vamos ganhar muito com os direitos de passagem.

Dos 4,8 mil milhões de euros de receita anual gerada pelo canal parte-se para um lucro de 12 mil milhões até 2023. O trabalho foi concluído em menos de um ano.

A obra foi financiada por títulos emitidos pelo governo, comprados pelos próprios egípcios:

- Eu tenho muito orgulho de ser uma pequena parte deste grande projeto.

Depois de tanto tempo em crise económica, o governo de Al-Sisi encara o canal como oportunidade para reavivar o país.

- Espero que isto ajude o turismo. O meu marido é guia turístico e tem menos trabalho do que antes. Também espero que traga novas oportunidades aos meus dois filhos, engenheiros.

Alguns analistas pensam que o impacto na economia egípcia vai ser limitado, pelo menos a curto prazo, e terá sido exagerado por razões políticas.

- O mais importante talvez nem seja a economia mas a ideia de que este é um projeto nacional, com efeitos políticos e sociais óbvios.

O dia da inauguração é dia feriado no Egito.

A construção do canal remonta a meados do século XIX. A França desempenhou um papel de liderança através da figura do diplomata e empresário Ferdinand de Lesseps. Mergulho nos meandros da história com o desenvolvimento da da France 3:

No deserto do Egito, muitos encararam o projeto como uma miragem, irrealizável. Aproximar o oriente do ocidente já os faraós o fizeram, dois mil anos antes de Jesus Cristo, com um canal que ligava o Mar Vermelho ao Nilo. Especiarias e sedas transitaram por lá até ao fim do Império Romano.

Esquecido, enterrado na areia, o projeto do canal foi recuperado por Napoleão Bonaparte, em campanha no Egito. Os seus engenheiros abandonaram a uns metros entre os dois mares.

Ferdinand de Lesseps, manteve a ideia. Vice-Consul de França no Egito, aproveitou a oportunidade da chegada ao trono de seu amigo Saïd Kedif.

Arnaud Ramiere de Fortanier, Associação Lesseps:

*- Saïd Pasha tinha uma ambição: a independência do Império Otomano. para ele só seria possível com a internacionalização do Egipto, fazendo o canal Encontrou o homem certo, que foi o seu percetor.”

Ferdinand de Lesseps obteve uma concessão de 99 anos. Assumiu a construção através da Companhia Universal do Suez e o Egito forneceu a terra e a mão de obra. Para financiar a companhia, De Lesseps apresesentou o projeto em toda a Europa, tentando convencer a comprar ações. Mas só os franceses participaram. 84.000 ações ficaram sem subscrição.

Nessa altura, mais uma vez, a amizade foi mais forte e Saïd Pasha financiou 44% das ações em falta para a obra começar.

As primeiras escavações começaram em abril de 1859, graças à força dos homens e dos camelos. Para cavar os 160 quilómetros entre o Mar Vermelho e o Mediterrâneo, Ferdinand de Lesseps desviou a água do Nilo para o meio do futuro canal. Alimentou ainda com água as cavidades naturais e lagos secos. restavam apenas 80 km de cada lado, o que foi rapido graças às primeiras máquinas a vapor.

Ao fim de 10 anos de trabalho, o Canal de Suez era uma realidade, as águas do Mediterrâneo encontravam as Mar Vermelho. Com uma vontade de ferro, F. De Lesseps separou continentes.