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Federação Internacional de Atletismo acusada de bloquear relatório antidoping polémico

A Federação Internacional de Atletismo (FIA ou IAAF, na sigla inglesa) terá bloqueado a divulgação de um relatório financiado pela Agência Mundial

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Federação Internacional de Atletismo acusada de bloquear relatório antidoping polémico

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A Federação Internacional de Atletismo (FIA ou IAAF, na sigla inglesa) terá bloqueado a divulgação de um relatório financiado pela Agência Mundial Antidoping (AMA) onde se concluiu que cerca de um terço dos atletas de alta competição terá recorrido a doping.

A acusação partiu do jornal britânico Sunday Times e da televisão pública alemã ARD, os quais adiantem que centenas de atletas teriam confessado a violação das regras antidoping para melhorar a respetiva prestação desportiva. As confissões teriam sido feitas sob anonimato há 4 anos, no decorrer dos Mundiais de Daegu, na Coreia do Sul, a investigadores da Universität Tübingen, da Alemanha.



Os investigadores concluíram que entre 29 e 34 por cento dos 1800 atletas presentes naqueles mundiais tinham recorrido ao doping nos 12 meses anteriores. “Estas conclusões demonstram que o doping está amplamente difundido entre os atletas de elite”, lê-se no relatório.

À margem desta polémica, na semana passada a FIA revelou ter repetido análises antigas e descoberto dezenas de novos casos de doping ocorridos nos Mundiais de atletismo de Helsínquia, em 2005, e de Osaca, em 2007. Na sequência, o organismo adiantou ter aberto processos disciplinares a 28 atletas, alguns, entretanto, já retirados do ativo.



Mas, agora, esta nova revelação promete ensombra o congresso eleitoral que vai decorrer entre terça e quarta-feira, no qual o russo Sergei Bubka e o inglês Sebastien Coe concorrem à presidência do organismo. Em troca do acesso aos atletas em Daegu, a AMA, que financiou o estudo alemão, terá dado à FIA o poder de veto sobre a publicação do relatório, avançou na sexta-feira outro jornal britânico, o Times. A Federação Internacional de Atletismo terá feito uso desse poder de veto.



Reportagens recentes do Sunday Times e da ARD revelaram a realização de exames sanguíneos a cerca de 800 atletas de alta competição, os quais apresentaram “valores suspeitos ou altamente suspeitos”, sugerindo um processo generalizado de dopagem de grande amplitude no atletismo. Foi denunciado, por exemplo, que um terço dos medalhados olímpicos do meio-fundo (dos 800 metros à maratona) entre 2001 e 2012 estaria nesse grupo suspeito.