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Sri Lanka escolhe o fim de uma era ou a continuação da desigualdade entre norte e sul

Na república socialista do Sri Lanka (antigo Ceilão), está em jogo o regresso, ou não, de Mahinda Rajapakse ao governo, oito meses depois de perder a

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Sri Lanka escolhe o fim de uma era ou a continuação da desigualdade entre norte e sul

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Na república socialista do Sri Lanka (antigo Ceilão), está em jogo o regresso, ou não, de Mahinda Rajapakse ao governo, oito meses depois de perder a presidência do país.

Point of view

O Sri Lanka deseja um processo de verdadeira reconciliação e não a continuação de um estado que apenas suporta as minorias sem integração

Rajapakse ocupou o mais alto posto da nação durante 10 anos. En 2004, sucedeu a Chandrika Kumaratunga – que também foi primeira-ministra em 1994, antes de ser presidente e é filha de um ex-chefe de governo assassinado.

Rajapakse conta criar a própria dinastia, capitalizando a obra feita: a derrota infligida aos guerrilheiros da minoria étnica tamil há seis anos, pondo um fim à guerra civil de 26 anos, que causou 70 mil mortos e 140 mil desaparecidos.

Em “2009“http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2009/05/567425-apos-25-anos-de-conflitos-exercito-anuncia-vitoria-sobre-guerrilha-tamil.shtml:, a Guerrilha de Libertação dos Tigres da Pátria Tamil reconheceu a derrota depois da grande ofensiva do exército cingalês, no norte do país, depois de 25 anos de guerra civil. Foram os Tigres que assassinaram Rajiv Ghandi, em 1991, ex-primeiro-ministro da índia vizinha.

Mahinda Rajapakse:

- Dirijo-me ao Parlamento, neste histórico momento que marca o fim do terrorismo no país, depois de décadas de esperanças frustradas dos cingaleses, dos tamils, dos muçulmanos, e outros deste país.

Este pequeno país da Ásia do Sul, situado numa ilha, é conhecido como Pérola do Oceano Índico. Está separado da Índia pelo Golfo de Bengala e pelo estreito de Palk. A maioria dos de 21 milhões de habitantes, é budista, a seguir, vem o hinduismo e, muito atrás, o islamismo e o cristianismo – deixado pelos portugueses no séc XVI.

Mesmo se a reconciliação é frágil, o fim da guerra foi uma mais-valia na campanha eleitoral do antigo presidente, que manteve sempre uma boa quota de popularidade.

No entanto, está sempre sob suspeita de violação dos direitos humanos, corrupção e autoritarismo do regime.
Desde 2010 que há manifestações contra ele em todo o país.

Neste contexto, Maithripala Sirisena não teve dificuldades em recuperar as intenções de voto perdidas pelo rival. É um político sóbrio, de origem humilde, promete reequilibrar o poder e lutar contra a corrupção. Mas, em apenas oito meses é difícil julgar a sua obra…

Os eleitores podem dar uma oportunidade a este recém-chegado, dando-lhe uma maioria estável, ou reconduzir o governador Ranil Wickremesinghe, atual primeiro-minsitro, à chefia do executivo virando, definitivamente, a página Rajapakse.

As minorias cingalesas desejam, principalmente, que os crimes de guerra sejam elucidados, que o nacionalismo seja contido, o desenvolvimento das infraestruturas do sul, em detrimento do norte tamil, seja equilibrado, que a presença militar e as detenções arbitrárias terminem … no fundo, o Sri Lanka deseja um processo de verdadeira reconciliação e não a continuação de um estado que apenas suporta as minorias sem integração.