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França e Alemanha contra bloqueio húngaro a migrantes e refugiados

Os ministros dos Negócios Estrangeiros de França e Alemanha criticaram a decisão da Hungria em levantar uma muralha de arame farpado para estancar a

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França e Alemanha contra bloqueio húngaro a migrantes e refugiados

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Os ministros dos Negócios Estrangeiros de França e Alemanha criticaram a decisão da Hungria em levantar uma muralha de arame farpado para estancar a passagem de migrantes ilegais na fronteira com a Sérvia. Na quinta-feira, à margem da cimeira europeia com a denominada região ocidental dos Balcãs, Frank-Walter Steinmeier, defendeu que “levantar muralhas fronteiriças dificilmente resolve o problema”. “Uma aproximação europeia é necessária”, lê-se ainda na consequente publicação no Twitter do ministério dos Negócios Estrangeiros alemão.

Numa entrevista na televisão, este sábado, homólogo francês de Steinmeirer, Laurent Fabius, vincou posição, igualmente contra a resistência do regime nacionalista húngaro à “onda” de migrantes e refugiados, que continua a surgir através da Grécia, Macedónia e Sérvia.

“Quando vejo alguns países europeus a recusar o que definimos como quotas, parece-me escandaloso”, atirou Fabius, referindo ao sistema já debatido na União Europeia de partilha dos requerentes de asilo oriundos do Médio Oriente e do norte de África, mas que tarda em passar do papel à aplicação. O ministro gaulês referia-se “em particular, aos países do leste da Europa.”

Confrontado pelos jornalistas com o que se passa na Hungria, nomeadamente com a finalização da primeira fase de construção de uma muralha fronteiriça com a Sérvia, Fabius avalia essa decisão como “extremamente severa”. “A Hungria faz parte da Europa e a Europa tem valores. Estes valores não são respeitados quando se levantam muralhas”, defendeu o ministro francês.

França, Alemanha e Reino Unido pediram, entretanto, uma reunião de urgência à presidência luxemburguesa da União Europeia. A ideia é realizar o primeiro Conselho JAI, isto é, juntar os ministros da Justiça e da Administração Interna dos “28” num prazo de duas semanas e discutir o problema dos migrantes e requerentes de asilo na Europa.

Numa reunião à margem do encontro de ministros do Interior e dos Transportes que decorreu em Paris, os responsáveis pela administração interna francesa, alemã e britânica sublinharam a necessidade da tomada de medidas imediatas face aos recentes fluxos migratórios e preparar as decisões a tomar a 8 de outubro.

Bernard Cazeneuve, Thomas de Maiziere e Theresa May insistem na “criação urgente, ou mais tardar antes do final do ano, em Itália e na Grécia, de espaços que permitam o registo dos migrantes na base de dados Eurodac e a identificação dos que revelam necessitar de manifesta proteção”. “Ao mesmo tempo, deve ser elaborada rapidamente uma lista dos países de origem para completar o regime de asilo europeu comum, proteger os refugiados e assegurar de forma efetiva o regresso dos migrantes ilegais aos países de origem”, lê-se no comunicado conjunto emitido e reproduzido em baixo, no original em francês.

Há uma série de soluções já redigidas, mas a muita resistência de alguns Estados-membros à sua aplicação está a atrasar a reação europeia. Lauren Fabius admite que se possa “criticar a Europa” pela “incapacidade de encontrar soluções com a rapidez devida”, mas o ministro francês dos Negócios Estrangeiros sublinha haver “soluções no papel”. “O que precisamos é de as aplicar e rápido”, concretizou.

Esta segunda-feira, em Calais, França, outros dos pontos críticos do fluxo de migrantes — estes com destino ao Reino Unido —, o Comissário Europeu para a Migração, Assuntos Internos e Cidadania, Dimitris Avramopoulos, e o primeiro vice-presidente da Comissão euroepia, Franz Timmerman, vão reunir-se com o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, e o respetivo ministro do Interior, Bernard Cazeneuve. É a primeira de várias reuniões numa digressão de ambos os responsáveis europeus, esta semana, pelos pontos mais críticos dos fluxos de migração clandestina nas fronteiras europeias.

À margem das controvérsias políticas, o futebol alemão deu, por fim, este domingo uma imagem de solidariedade digna de registo. Em vários estádios onde decorreram jogos, os adeptos exibiram mensagem de boas vindas aos migrantes e refugiados que têm chegado à Alemanha, um dos países de destinos preferencias destas pessoas em busca de uma vida melhor à que tinha no país de origem e em segurança, longe de guerras ou de outros conflitos armados.