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Malásia: Ex-primeiro ministro reforça protesto contra atual chefe de Governo

Milhares de pessoas voltaram a convergir este domingo ao centro de Kuala Lumpur para exigir a demissão do atual primeiro-ministro, Najib Razak

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Malásia: Ex-primeiro ministro reforça protesto contra atual chefe de Governo

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Milhares de pessoas voltaram a convergir este domingo ao centro de Kuala Lumpur para exigir a demissão do atual primeiro-ministro, Najib Razak, suspeito de desvio dinheiros publicos para contas próprias. Pelo segundo dia consecutivo, o antigo chefe do Governo malaio Mahatir Mohamad juntou-se ao protesto, apelando à firmeza do povo pela queda de Razak.

O protesto de dois dias — um dos maiores em anos — tem decorrido de forma pacífica, apesar de desafiar as advertências do Governo, que o tinha declarado ilegal, bloqueando o portal dos organizadores e tentando banir a t-shirt “oficial” da manifestação, de cor amarela e com um logótipo.

Milhares de manifestantes passaram a noite nas ruas, perto da Praça da Independência. No retomar do protesto este domingo a multidão parecia menor do que a de sábado, com a polícia a estimar cerca de 29 mil manifestantes. A plataforma de cidadãos Bersih — que pressiona uma reforma eleitoral — estimou a adesão da véspera em 200 mil.

A manifestação ganhou um forte impulso com a breve aparição ao final do dia de sábado do antigo primeiro-ministro malaio Mahathir Mohamad, de 90 anos. O político, ainda um dos “pesos pesados” do partido no poder, o UMNO (Organização Nacional dos Malaios Unidos), liderou apelos para a saída de Najib Razak, acusando-o de corrupção e de má governação. O seu aparecimento foi visto com surpresa, já que a sua administração (1981-2003) ficou conhecida por reprimir este tipo de protesto.

Este domingo, Mohamad dirigiu-se mesmo aos manifestantes e pediu-lhes firmeza para conseguirem a demissão do colega de partido: “Não há mais espaço para a aplicação da lei. A única forma de as pessoas regressarem ao sistema antigo é removerem este primeiro-ministro. Para o remover, as pessoas têm de mostrar a força do povo.”

Agilan Palani, um dos manifestantes, mostrou-se confiante na mensagem enviada ao Governo: “Penso que estamos a demonstrar que as pessoas detêm um enorme poder. Podemos não conseguir uma mudança já amanhã, mas estamos a mostrar que temos um rumo.”

Najib, cujo partido está no poder desde a independência da Malásia, tem vindo a lutar pela sua sobrevivência política sobretudo desde que, no mês passado, foi implicado num alegado escândalo de corrupção pelo desvio de cerca de 700 milhões de dólares (630 milhões de euros) de um fundo estatal de investimentos para as suas contas privadas. De acordo com o The Wall Street Journal, essas verbas têm sido depositadas nas suas contas bancárias desde 2013.

Os ministros do executivo de Najib Razak referiram-se às transferências como “donativos políticos” de fontes não identificadas do Médio Oriente, recusando facultar detalhes. As contas foram fechadas e o destino do dinheiro não foi explicado.

A manifestação não é interpretada, entretanto, como uma grande ameaça a Najib Razak, até porque os organizadores do protesto carecem de um forte líder. A oposição malaia encontra-se fraturada devido a divergências políticas e o atual primeiro-ministro controla instituições chave, como o parlamento.

Najib Razak nega todas as acusações de má conduta, falando numa “conspiração política” para o derrubar.

“Quem são esses que vestem este traje amarelo? Eles querem descredibilizar o nosso bom nome, riscar com cravão preto a face da Malásia no mundo”, afirmou no sábado, citado pela imprensa oficial.

No dia anterior, o primeiro-ministro tinha também criticado o facto de os organizadores terem escolhido os dias que antecedem as celebrações da independência do país — que ocorreu a 31 de agosto de 1957 — para a realização da manifestação.

Anteriores protestos convocados pelo grupo Bersih resultaram em confrontos com a polícia, com os mais recentes a datarem de 2012, mas ambas as partes têm mostrado contenção.

Além da capital, Kuala Lumpur, outras cidades acolhem protestos, em muito menor dimensão, designadamente Kuching e Kota Kinabalu.