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Aylan não está sozinho

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Infelizmente, está longe de ser uma situação inédita. Mas, desta vez, estava uma fotógrafa no local. Foi Nilüfer Demir quem registou a imagem da infâmia que está a chocar o mundo inteiro. Há meses que a jornalista da agência noticiosa turca Dogan vagueia periodicamente pelas praias de Bodrum, na Turquia, que se tornaram inusitados cenários de notícias. Nilüfer explica que ficou “petrificada” quando viu o corpo de Aylan, de três anos. Os cadáveres do irmão, Galip, de 5 anos, e da mãe, Rehan, foram encontrados mais à frente. Não havia nada mais a fazer, senão cristalizar a visão da tragédia.

Apenas o pai, Abdullah, sobreviveu. Já declarou que pretende regressar a Kobane, a cidade curda no norte da Síria que esteve cercada durante meses pelo Estado Islâmico e se tornou um símbolo da resistência à barbárie. Porque é aí que quer enterrar a sua família.

Aylan e Galip foram duas das doze vítimas mortais do naufrágio que ocorreu durante a noite de terça para quarta-feira. Duas embarcações, com 23 pessoas a bordo, saíam de Bodrum rumo à ilha grega de Kos. Sete refugiados foram resgatados, dois conseguiram regressar à costa, dois continuam desaparecidos. Entre os mortos há seis crianças com idades entre os 9 meses e os 11 anos.

Abdullah e Rehan já tinham solicitado asilo em Vancouver, no Canadá, onde têm familiares. Mas o dossiê não foi aprovado. Talvez a atenção dada à imagem de Nilüfer Demir, que gerou reações como as que vemos mais abaixo, ajude outros casos a avançar.