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Dono da Mercedes pisca o olho aos refugiados como mão-de-obra motivada

A indústria automóvel alemã, um dos setores mais fortes do país, começa a olhar para a crise dos refugiados como uma oportunidade. Pelo menos, essa é

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Dono da Mercedes pisca o olho aos refugiados como mão-de-obra motivada

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A indústria automóvel alemã, um dos setores mais fortes do país, começa a olhar para a crise dos refugiados como uma oportunidade. Pelo menos, essa é a visão do presidente da administração da Daimler, a “dona” da Mercedes.

Com cerca de oitocentos mil migrantes ou refugiados a caminho, o responsável da Daimler, Dieter Zetsche antevê aqui a possibilidade de contrariar a anunciada redução da população alemã e ao mesmo tempo dar um novo impulso à economia germânica.

(“Zetsche sobre a migração: Pode ser o início do próximo milagre económico alemão.”)

No lançamento da Exposição Internacional de Motores de Frankfurt, o líder da Daimler reconhece que nem todos os migrantes ou refugiados serão brilhantes engenheiros ou mecânicos, mas cada um terá as suas capacidades e chegam motivados, podendo ajudar a Alemanha a repetir o salto económico conseguido após II Guerra mundial.

A grande questão será: A que custo?

É verdade que a Alemanha detém o atual recorde mínimo de desemprego na União Europeia (4,7 por cento), mas para isso contribuem também os que estão a trabalhar através dos chamados “mini empregos” (“mini jobs”), uma categoria paga a menos de 500 euros mensais, sem necessitar de seguros de saúde pagos pelo empregador e nos quais é o Estado quem assume a segurança social do empregado — mais de 7 milhões de alemães trabalham através de “mini empregos.”

[[ Taxas de desemprego da UE e da zona euro ]]

Irão os potenciais novos empregados criados por esta onda de refugiados integrar o setor automóvel alemão através destes “mini empregos”? Ou como estagiários, pagos abaixo dos cerca de 850 euros do recém-criado ordenado mínimo alemão? E qual será o processo de admissão?

A prioridade para ocupar uma vaga pertence aos cidadãos europeus. Um português desempregado será, à partida, prioritário face a um cidadão de fora da UE para conseguir um trabalho na Alemanha. Poderá ser criado um estatuto especial para os refugiados?

Como reagirão os 4,7 por cento de desempregados alemães face à entrada destes novos trabalhadores num dos mais apetecíveis mercados de trabalho da Europa, o setor automóvel germânico? São muitas as perguntas que se levantam, mas o problema do fluxo de refugiados a entrar no espaço comum continua e o tempo urge para se encontrarem soluções que já há meses eram urgentes e que alguns Estados-membros continuam a retardar.

(“Zetsche: Quem conhece o passado, não deve rejeitar os refugiados. Os que veem o presente, não os podem recusar…”)