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Migração: 300 pessoas detidas e pelo menos 35 foram acusadas de entrada ilegal na Hungria

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Migração: 300 pessoas detidas e pelo menos 35 foram acusadas de entrada ilegal na Hungria

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A polícia húngara revelou esta quarta-feira ter intercetado 367 pessoas que tentavam cruzar terça-feira a fronteira, oriundas da Sérvia. Pelo menos 35, acrescenta a agência de notícias magiar MTI, terão sido mesmo acusadas pelas autoridades húngaras de tentativa de entrada ilegal no país.

Perante o retardar de soluções comuns aos “28” oriundas de Bruxelas, Budapeste decidiu apertar o controlo fronteiriço e desde terça-feira que passou a ser considerado crime a entrada ilegal no país. A nova lei de imigração na Hungria prevê penas de 3 anos de prisão para quem entrar de forma clandestina no país e de 5 anos para quem o tentar na posse de armas ou para quem provocar danos na vedação de arame farpado que as autoridades húngaras agora levantaram na raia que divide o país (e a União Europeia) da Sérvia, ao longo de 175 quilómetros.

A agência de notícias húngara adiantou ainda que que as autoridades receberam durante o dia de terça-feira 94 requerimentos de asilo em duas zonas especiais de transição. Destes pedidos, 19 foram rejeitados e 7 recorreram. Há relatos de que 74 pessoas, 13 famílias e dois idosos, requereram tratamento especial à Hungria.

Os migrantes que ficaram, entretanto, bloqueados no lado sérvio da fronteira com a União Europeia insistem na travessia da Hungria rumo à Áustria e garantem que não vão desistir. “Temos fome e estamos a sentir muita raiva. Os meus compatriotas estão a sofrer. Vamos ficar nesta estrada [n.: na cidade sérvia de Horgos] até que eles [a Hungria] abram esta fronteira”, ameaçou Ahmed Rashid Yousef, um alegado refugiado sírio.



(Jornalista sérvia da agência Ruptly: “Refugiados manifestam-se em Horgos pela travessia da fronteira, pedem ajuda a Merkel e agradecem à Sérvia.”)

Os cerca de 1500 migrantes e refugiados que se mantém em Horgos receberam a visita do ministro do Interior sérvio. Nebojsa Stefanovic passa a “batata quente” para Bruxelas: “O nosso trabalho é tornar a Sérvia o mais segura possível. Mas também dar assistência a estas pessoas e mostrar-lhes que somos humanos o suficiente. Este, porém, é um problema Europeu e não pode ser resolvido facilmente em nenhum dos países, sobretudo na Sérvia, que é um dos mais pequenos países europeus.”

Entretanto, os migrantes e refugiados que ficaram bloqueados no lado sérvio da fronteira com a União Europeia protestaram noite dentro contra o bloqueio imposto pela Hungria. Com alguns já a procurar novas rotas rumo ao centro da Europa, por exemplo pela Croácia a ocidente, Budapeste decidiu entretanto prolongar para leste, para a fronteira com a Roménia, a polémica vedação de arame farpado que já separa a Hungria da Sérvia.

A Roménia faz parte da União europeia desde 2007, mas ainda está em processo de candidatura a integrar o espaço Shengen. Ainda assim, as autioridades romenas já têm em mãos na fronteira marítima um crescente problema de migração clandestina e refugiados (video em baixo).