Última hora

Última hora

Alexis Tsipras: A vitória não está garantida e os indecisos têm uma palavra a dizer

A convocação de eleições antecipadas não é, para o primeiro-ministro,demissionário, grego, uma aposta ganha já que o resultado é incerto. Mas Alexis

Em leitura:

Alexis Tsipras: A vitória não está garantida e os indecisos têm uma palavra a dizer

Tamanho do texto Aa Aa

A convocação de eleições antecipadas não é, para o primeiro-ministro,demissionário, grego, uma aposta ganha já que o resultado é incerto. Mas Alexis Tsipras arriscou e, mais uma vez, a decisão está nas mãos dos gregos:

“Com o vosso voto vão dizer-nos se o acordo que conseguimos reúne as condições necessárias para superar o impasse, contribuir para relançar a economia e dizer-nos se este acordo nos ajuda a pôr fim a memorandos e medidas cruéis de austeridade.”

O fim da austeridade que foi a bandeira eleitoral que deu a vitória ao Syriza, em janeiro e que se transformaria no ‘calcanhar de Aquiles’ de Alexis Tsipras, ainda que na celebração da vitória ainda não o soubesse:

“O veredicto do povo grego termina, sem qualquer dúvida, o círculo vicioso da austeridade no nosso país”, afirmou perante as centenas de pessoas que com ele festejaram a vitória nas ruas de Atenas.

Mas a realidade demonstraria outra coisa, depois de muitas viagens de ida e volta a Bruxelas, sem chegar a um acordo com os credores da Grécia, a 29 de junho, o governo encerra os bancos para evitar a fuga de capitais o que aumenta a incerteza sobre a permanência da Grécia na zona euro. O país entra em incumprimento em relação aos credores.

Dias mais tarde, a Grécia recusa, em referendo, por maioria, o programa do Eurogrupo de 25 de junho, que previa mais medidas de austeridade.

No dia seguinte Yannis Varoufakis, o ministro das Finanças, a ‘pedra no sapato’ do Eurogrupo demite-se. Mas será isto um sinal de mudança de rumo?

Com efeito, a 13 de julho, o Eurogrupo firma um acordo com a Grécia, um novo plano de resgate, o terceiro, 86 mil milhões de euros, O país permanece na Zona Euro mas os sacrifícios são enormes.

Em agosto, o acordo é aprovado, sem dificuldade, pelo parlamento ainda que a votação mostre os problemas que começam a surgir no seio do Syriza: 43 dos seus deputados votam contra ou abstêm-se.

A divisão acaba por dar-se. Vinte e cinco dos seus deputados seguem Panagiotis Lafazanis, ex-ministro da energia, na formação um novo partido, a Unidade Popular, que se torna na terceira força no parlamento.

Sem a maioria parlamentar o primeiro-ministro não tem alternativa se não chamar os gregos às urnas para um novo voto de confiança que não será assim tão fácil de conseguir face às reformas difíceis que se avizinham: o aumento nos impostos e a reduções no valor das pensões estão previstas para outubro.

Eleni Rizopoulou, euronews:

Falamos agora com um dos nossos correspondentes em Atenas, Stamatis Giannisis. Quais são as novidades sobre a campanha eleitoral na Grécia? E o que dizem as últimas sondagens?

Stamatis Giannisis, euronews Atenas:

Depois de mais de 20 sondagens de âmbito nacional, feitas nas últimas duas semanas, todos os partidos têm agora uma noção bastante clara da percentagem de votos que poderão obter no domingo e, por isso, viraram todos os seus esforços para conquistar o máximo possível dos chamados eleitores indecisos que, aparentemente, são determinantes no resultado final desta eleição.

Em qualquer caso, a grande maioria das sondagens mostra o Syriza e a Nova Democracia como os dois candidatos principais, e estão ‘taco a taco’, às vezes a diferença é de um ponto percentual.

Isso faz com que os analistas políticos se sintam resultantes em antecipar o resultado final porque não estão seguros se os votos vão estar distribuídos, uniformemente, entre os grandes e os pequenos partidos ou se vão pender para um dos principais candidatos, por isso, no final, até pode acontecer uma maioria absoluta.

Eleni Rizopoulou:

Qual é o sentimento dos gregos? Como é que os eleitores veem estas legislativas e o facto de irem de novo às urnas?

Stamatis Giannisis:

Esta será a terceira vez, nos últimos nove meses, que os gregos vão às urnas. A primeira vez foi em janeiro para as legislativas antecipadas, depois do fracasso do Parlamento grego em eleger o novo Presidente da República. A segunda vez foi em julho quando o governo de Tsipras convocou o referendo, pedindo aos gregos para aprovar ou rejeitar o projeto do acordo de resgate proposto pelos credores do país. No domingo, os gregos vão voltar às urnas em mais uma eleição antecipada com o objetivo de eleger um governo, que pode ser de coligação, e que implementará o novo acordo de resgate acordado por Tsipras antes de se demitir. Pode, facilmente, compreender-se que os eleitores gregos estão cansados. Não estão relutantes em ir votar, mas não estão tão ansiosos como estavam nas eleições de janeiro ou no referendo de julho. Eles sentem que vença quem vencer, as novas reformas de austeridade terão de ser implementadas e que a vida quotidiana vai ser ainda mais difícil.