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Hungria: Orbán investe na popularidade interna e isolamento externo

Imagens chocantes de uma situação dramática. No final de agosto 71 refugiados foram mortos numa autoestrada na Áustria, a poucos quilómetros da

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Hungria: Orbán investe na popularidade interna e isolamento externo

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Imagens chocantes de uma situação dramática. No final de agosto 71 refugiados foram mortos numa autoestrada na Áustria, a poucos quilómetros da fronteira húngara. A história chocou o mundo inteiro.

Quatro crianças, incluindo um bebé, estavam entre os 71 migrantes que foram encontrados mortos no camião. Uma patrulha da polícia austríaca descobriu o camião, provavelmente pelo menos 24 horas depois de ter sido abandonado. Os refugiados pareciam estar mortos há mais de dois dias; fluidos, dos corpos em decomposição, escorriam pelas frinchas das portas.

Esta semana, o parlamento húngaro aprovou uma lei que que autoriza o exército a disparar sobre os refugiados com armas não letais e
uma resolução que considera a União Europeia responsável pela tragédia que aconteceu com os 71 refugiados.

Para primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, a Hungria e a Europa estão a ser invadidas:
“As nossas fronteiras estão ameaçadas, assim como o nosso estilo de vida, que se baseia no respeito das leis. A Hungria e a Europa estão sob ameaça. O que está a acontecer é uma invasão. Na verdade, eles estão a invadir-nos, está a acontecer todos os dias, e é um problema europeu. Aqui, não temos como receber esta gente toda.”

Péter Balázs ex-ministro dos Negócios Estrangeiros (ministro no governo do Partido Socialista – que agora está na oposição), atualmente professor na Universidade da Europa Central, considera que a posição anti-refugiados do governo húngaro não vai mudar num futuro próximo:
“Esta resolução parlamentar reflete a relação da atual maioria com a crise dos migrantes. É uma resolução hostil e anti-refugiados.”

Para que não restem dúvidas sobre as intenções do governo quanto aos migrantes, o executivo mandou colocar nas ruas cartazes com a frase: “As pessoas decidiram: o país tem de ser defendido”.

Apesar de os líderes europeus terem franzido o sobrolho às políticas do primeiro-ministro, de acordo com as sondagens, as posições de Viktor Orbán fizeram aumentar o seu número de apoiantes.

“No início do verão 1,6 milhões de eleitores apoiavam o partido conservador Fidesz, ou seja, 20 por cento da população. Agora regista um aumento de 300 mil pessoas, mais 4%,” afirma o diretor de estudos de opinião da Ipsos Zrt, Tibor Závecz.

Segundo o correspondente da Euronews na Hungria, Attila Magyar, se a política atual do governo húngaro continuar, e manter as críticas aos países vizinhos, a Hungria vai, provavelmente, isolar-se ainda mais da Europa.

“Nas últimas semanas, embaixadores de dez países foram chamados ao Ministério dos Negócios Estrangeiros húngaro. Isto ilustra as relações tensas com os Estados vizinhos. Aqui, na Hungria, muitos especialistas concordam que as mensagens do Ministério dos Negócios Estrangeiros são enviadas indiretamente para o povo húngaro, não para países estrangeiros.”

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