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OMS pede tratamento para todos os portadores de VIH para acabar com a SIDA até 2030

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OMS pede tratamento para todos os portadores de VIH para acabar com a SIDA até 2030

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A Organização Mundial de Saúde (OMS ou, na sigla inglesa, WHO) divulgou esta quarta-feira uma recomendação para que “todas as pessoas infetadas pelo virús da imunodeficiência humana (VIH ou, nasigla inglesa, HIV) devem receber tatamento tão breve quanto possível, logo após o diagnóstico”.

Com esta recomendação, a OMS “retira todas as limitações de elegibilidade” para tratamento antirretrovírico (TARV), como a faixa etária ou o nível de imunodeficiência já atingido, e pasa a ter em conta apenas um critério: ser portador de VIH.

[ Leia aqui, em inglês, o comunicado da OMS ]

A abertura de tratamento a todos os portadores do vírus é suportada pelas recentes confirmações em testes clínicos de que o recurso precoce a TARV mantém estas pessoas vivas, mais saudáveis e reduz os riscos de transmissão do vírus aos parceiros.

(“Recomendações OMS: O tratamento do VIH deve ser prescrito a pessoas após o respetivo diagnóstico de VIH independentemente da sua contagem de CD4”)

Esta posição da OMS vem de encontro as diretivas já estabelecidas no ano passado pelo Programa das Nações Unidas de combate à SIDA (ONUSIDA ou, na sigla em inglês, UNAIDS). No relatório de 2014 sobre a infeção VIH, SIDA e Tuberculose em Portugal, a Direção-Geral de Saúde já mencionava a estratégia da ONUSIDA para erradicar a SIDA até 2030.

 

Luta contra a SIDA e o VIH em Portugal

"A próxima escala, a nível global, será em 2020, onde pretendemos que 90 por cento das pessoas infetadas por VIH conheçam o seu diagnóstico, 90 por cento de casos diagnosticados estejam em tratamento e 90 por cento de casos em tratamento se apresentem em supressão virológica. Tendo aquela visão e esta escala intermédia presentes, o nosso objetivo está definido até 2016: alcançar e ultrapassar as metas de redução de novos casos de infeção, de casos de Sindrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA), de casos de apresentação tardia, de mortes associadas à infeção e de casos de transmissão mãe-filho, tal como vêm referidos no Programa Nacional. Sem discriminação e sem deixar ninguém para trás. Sabemos que, hoje, estamos mais próximos desse porto de chegada."

in "PORTUGAL, Infeção VIH, SIDA e Tuberculose em números -- 2014"

A ONUSIDA estima que a expansão do TARV a todos os portadores de VIH e o aumento das opções de prevenção pode ajudar a evitar 21 milhões de mortes relacionadas todos os anos com o vírus da SIDA e até 28 milhões de novas infeções até 2030.


(“Nova recomendação da OMS: A pessoas em ‘substancial’ risco de VIH devem ser oferecidos tratamentos preventivos antirretrovíricos” / “As novas recomendações da OMS podem evitar mais de 21 milhões de mortes e 28 milhões de novas infeções por VIH até 2030.”)


A OMS recomendou ainda, esta quarta-feira, que às pessoas em risco “substancial” de contrair VIH deve ser oferecido tratamento preventivo antirretroviral. “Esta nova recomendação” baseia-se na proposta da organização de “disponibilizar uma combinação de drogas antirretrovirais para prevenir a infeção por VIH, profilaxia de pré-exposição(PrPE), para homens que tenham relações sexuais com homens (HSH)”, lê-se no comunicado.

A OMS espera que a PrPE seja vista como “uma escolha de prevenção adicional baseada num compreensivo pacote de serviços, que inclui os testes de VIH, o aconselhamento e apoio, e o acesso a preservativos e a material seguro de injeção.”

De acordo com dados recolhidos até 31 de agosto de 2014 e revelados pela Unidade de Referência e Vigilância Epidemológica (DDI-URVE) do Instituto Nacional Saúde, Portugal registou, entre 1983 e 2013, um total de 48.657 casos de infeção por VIH, verificando-se uma queda constante no número de novos casos desde 2000, ano em que se registou o pico da epidemia em Portugal, com 3096 registados.

[ Recomendações para o tratamento da infeção por VIH-1 e VIH-2 ]

Notificação de casos de VIH

O sistema nacional de notificação de casos de infeção por Vírus da imunodeficiência humana (VIH) teve início em 1985, recolhendo informação referente aos novos casos de infeção nos diferentes estádios e aos óbitos. A notificação clínica manteve-se de carácter voluntário até 1 de fevereiro de 2005, data em que a infeção por VIH integrou a lista de doenças de declaração obrigatória. Assim, foi decretada a obrigatoriedade de notificação de todos os novos casos de infeção, bem como das evoluções de estádio e óbitos."

in "Relatório de Infeção HIV-SIDA 2013", da INS

Em 2013, o último ano de que existem dados oficiais, Portugal registou 1416 novos casos, menos de metade face ao pico verificado na viragem do século. Destes últimos casos registados, a larga maioria (876) verificou-se entre heterossexuais. Menos de um terço (411) afetou HSH, 97 foram utilizadores de drogas injetáveis (IUD) e 7 transmitiram-se de mães para filhos, 4 resultaram de homens que utilizavam drogas injetáveis e tinham sexo com outros homens e 2 ocorreram através de transfusões.

Num outro estudo revelado pelo Instituto Nacional de Saúde, o Repositório Infecção HIV-SIDA, 2013, a região de Lisboa é referida como aquela onde se registaram mais novos casos em pessoas com 15 ou mais anos de idade durante 2013 (574), logo seguida pelo norte (221). Madeira (17) e Açores (5) foi onde se registaram menos casos.

Neste último balanço, o INS refere apenas as notificações de novos casos de infeção por VIH recebidas entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2013, concluindo um total de 1093 cujo diagnóstico ocorreu no mesmo período. Destes, 4 foram crianças com menos de 15 anos de idade. Dos restantes 1089 casos, 770 foram indivíduos do sexo masculino e a média de idades total rondou os 40 anos. Entre heterossexuais, a média de idades foi de 44 anos, entre HSH de 33 anos e entre toxicodependentes de 41 anos.

 

O VIH e a SIDA no Festival de Cinema Queer

Terminou no sábado (26 de setembro) a 19.a edição do Festival de Cinema Queer, em Lisboa, uma mostra de filmes LGBT, isto é, de temática "gay", lésbica, bissexual, transgénero e transexual. Na quarta-feira, 7 de outubro, o Festival Queer estreia-se no Porto, onde se vai prolongar por quatro dias com uma programação e dinâmica distintas da lisboeta. A competição oficial vai misturar ficção com document´rio e é composta por 21 filmes, os quais serão exibidos no auditóroio Isabel Alves Costa, do Teatro Municipal Rivoli. O Maus Hábitos, a Mala Voadora e a Galeria Wrong Weather, outros espaços lúdicos da Invicta, também vão ser palco de iniciativas no âmbito deste primeiro festival de cinema LGBT no Porto.

Em Lisboa, os filmes premiados este ano pelo Queer foram "Amor eterno", do realizador espanhol Marçal Forés (Melhor Longa-metragem), "Call Me Marianna", da polaca Karolina Bielawska (Melhor Documentário), e "Nova Dubai", do brasileiro Gustavo Vinagre (Prémio Queer Art). O documentário "Vivant!", de Vincent Leclerq, que conta a história de 5 amigos homossexuais e seropositivos, foi mostrado a 21 de setembro e a seguir houve lugar a um debate com Ricardo Fuertes, do GAT (Grupo Português de Ativistas sobre Tratamentos de VIH/SIDA).