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Recorde de 168 mil migrantes ilegais a cruzar o Mediterrâneo só em setembro

O mês de setembro registou o recorde do número de migrantes a fazer a travessia ilegal do Mediterrâneo, rumo à Europa, com cerca de 168.000 a

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Recorde de 168 mil migrantes ilegais a cruzar o Mediterrâneo só em setembro

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O mês de setembro registou o recorde do número de migrantes a fazer a travessia ilegal do Mediterrâneo, rumo à Europa, com cerca de 168.000 a arriscar a vida e a “vencer” as dificuldades do mar. Destes, 153.000 — mais de 90 por cento — desembarcaram na Grécia, especifica um relatório divulgado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR ou, na sigla inglesa, UNHCR).

Desde o início do ano e até à manhã desta sexta-feira, 2 de outubro, a agência da ONU contabilizou a entrada de 396.500 pessoas na Grécia, via mar. Os mais de 150 mil registados só em setembro representam um aumento na ordem dos 250 por cento face aos 43.500 registados durante todo o ano passado.

Ainda assim, deu-se um abrandamento nos últimos dias do mês. “Houve uma queda notável nas chegadas pelo mar esta semana, que acompanhou as mudanças no tempo”, disse Adrian Edwards, o porta-voz da ACNUR, detalhando, por exemplo, que a 25 de setembro foram registadas 6600 chegadas, mas no dia seguinte apenas 2200.

“De uma média recente de cerca de 5000 chegadas por dia, os números caíram para cerca de 3300 desembarques diários nos últimos 6 dias e apenas 1500 no dia de ontem”, revelou Edwards, ressalvando, no entanto, que “uma melhoria do clima poderá ajudar a uma novo acréscimo das chegadas pelo mar.”

Mais de meio milhão de clandestinos sói este ano

No total deste ano, a ACNUR avança que o número de migrantes e refugiados a atravessar o Mediterrâneo de forma clandestina e a conseguir chegar à Europa é de quase 530.000 — 168.000, só em setembro.

A Grécia é, de longe, a principal porta de entrada na Europa para os migrantes e refugiados oriundos, sobretudo, de zonas de conflito no Médio Oriente e de África. Estima-se que em breve se chegue às 400.000 pessoas a chegar de forma ilegal à costa grega. A Itália é a segunda porta mais procurada de entrada na Europa, com 131.000 chegadas registadas este ano.

O agravamento do clima, com o aumento da velocidade do vento e o arrefecimento da temperatura, está a tornar ainda mais perigosa a travessia do Mediterrâneo. Os salvamentos têm-se sucedido. Por exemplo, no primeiro dia em que participou na operação “Poseidon Sea 2015”, no âmbito da colaboração com a agência Frontex, a Polícia Marítima Portuguesa revelou ter resgatado quinta-feira, no Mar Egeu, junto à ilha de Lesbos, na Grécia, 36 migrantes, entre os quais 4 crianças, que foram socorridos a bordo da embarcação “Tejo.”

Esta sexta-feira, várias embarcações continuaram a chegar à costa de Lesbos. Numa delas, vinha Khaled e os filhos. “Quando entrámos no barco e eu vi as enormes vagas, quis voltar para trás. Mas para onde podemos voltar? Fomos forçados a fugir”, salientou este refugiado sírio, acrescentando: “Tive medo pelos meus filhos. Se alguma coisa lhes acontecesse, eu seria o culpado.”

Em França, entretanto, foram encontrados “sãos e salvos” 31 migrantes, incluindo uma criança de 3 anos, no interior de uma camião frigorífico. A viatura estava numa área de serviço da autoestrada A16, de Grande-Synthe, no norte do país, zona que serve de rota aos migrantes que têm habitualmente como destino o Reino Unido.

De acordo com as autoridades, todos os migrantes garantem ser cidadãos sírios, à exceção de um elemento que disse ter nacionalidade vietnamita. O motorista do camião tem nacionalidade espanhola e disse ter estacionado o camião quando ouviu um barulho na câmara de refrigeração.