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Portugal: As incertezas da vitória minoritária da coligação

Passos e Portas conseguiram o que poucos esperavam há poucos meses. Saem vencedores, porque foram a força política com mais votos mas perdem mandatos

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Portugal: As incertezas da vitória minoritária da coligação

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Passos e Portas conseguiram o que poucos esperavam há poucos meses. Saem vencedores, porque foram a força política com mais votos mas perdem mandatos e a maioria absoluta no parlamento.
Existem inúmeras leituras sobre o resultado das eleições deste domingo, dependendo se feitas pela direita ou esquerda. Mas a vitória da coligação pode ser considerado como um sinal receio de grandes mudanças.

Pedro Magalhães, professor de Ciência Política na Universidade de Lisboa, acredita que “Passos Coelho é visto como alguém calmo, reservado, uma pessoa de confiança ainda que a oposição apresente várias contradições entre o que prometeu em 2011 e o que acabou por fazer.”

Já António Costa terá apresentado desmasiadas mudanças, demasiadas revoluções que podem ter assustado os mais conservadores, mas também não terão convencido todos os que queriam um corte efitivo com o passado.
“Costa não parece alguém que tenha feito um verdadeiro corte com o anterior governo socialista. E as pessoas, sobretudo as de esquerda, ainda se lembram que esse executivo terminou com um pedido de resgate externo”, acredita Pedro Magalhães.

Os mais recentes números da economia podem explicar alguma resistência à mudança: em 2011 o país estava quase em bancarrota, os três anos seguintes foram de recessão; mas agora ainda que de forma tímida, a economia começa a crescer 1,6%.

Rosa Maria é vendedora de peixe num mercado em Lisboa e garante que “ o negócio está melhor. Temos tido muitos turistas o que tem ajudado. Estamos melhor se compararmos com a situação há cinco anos.”
De qualquer forma, a coligação perdeu cerca de 600 mil votos, em relação a 2011 e a abstenção volta a bater recordes para umas legislativas. Um sinal de protesto ou de resignação em relação à austeridade.

No Porto, Luis, um pintor de 57 anos, mostra uma atitude mais conformada: “prometem muitos e fundos e não vemos nada. É assim a vida. Trabalhamos muito e ganhamos cada vez menos.”

Os números do desemprego baixaram dos 18% para os 12,4% mas entre os mais jovens os números continuam muito altos, 30%. Filipe Fernandes, um estudante de Gestão, diz mesmo que vai “ter de ir para o estrangeiro para ter um trabalho melhor. É algo que tenho em mente desde que entrei na universidade”.

Os próximos meses adivinham-se instáveis: se Cavaco Silva convidar a coligação a formar governo, a maioria dos deputados no parlamento estão à esquerda e à esquerda já foram feitas promessas de chumbar, por exemplo, o orçamento para o próximo ano.