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Bélgica: Protesto antiausteridade gera confrontos com a polícia

Confrontos entre alegados estivadores oriundos do porto de Antuérpia e a polícia belga marcaram parte da manifestação antiausteridade que juntou

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Bélgica: Protesto antiausteridade gera confrontos com a polícia

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Confrontos entre alegados estivadores oriundos do porto de Antuérpia e a polícia belga marcaram parte da manifestação antiausteridade que juntou, esta quarta-feira, mais de 80.000 pessoas nas ruas de Bruxelas. Uma frente comum, que inclui três dos maiores sindicatos do país (FGTB, CSC e CGSLB), promoveu o protesto e estimou a adesão de 100.000 pessoas.


A manifestação decorreu na sua maior parte de forma pacífica, com uma marcha até à Gare do Midi, a maior estação ferroviária de Bruxelas. Mas ficou marcada por alguns episódios de violência, incluindo atos de vandalismo contra estabelecimentos e confrontos com um grupo de 150 a 200 estivadores de Antuérpia.

A polícia reagiu com gás lacrimogéneo e canhões de água aos vários episódios. Pelo menos 14 pessoas foram interpeladas, 3 foram mesmo detidas e um polícia ficou ferido.

Os manifestantes contestam a anunciada subida progressiva da idade da reforma dos atuais 65 para os 67 anos, em 2030, a reforma fiscal que deverá provocar a redução dos salários e os aumentos do IVA de 6 para 21 por cento na eletricidade. A intenção de agravar o imposto sobre o consumo de gasóleo, tabaco, álcool e bebidas gasosas acentua a revolta.


“Como estamos no primeiro aniversário deste executivo, queremos lembrá-los de todas as medidas tomadas contra os trabalhadores ao mesmo tempo que defendem o grande capital. São medidas completamente injustas”, acusou Marc Goblet, secretário-geral do FGTB.

Uma manifestante contou que “todos os dias” orienta “desempregados” e vê “os problemas e as despesas que eles têm de enfrentar”. “Está cada vez mais difícil sobreviver”, considerou.

Alguns dos participantes no protesto vestiram-se a preceito para sublinhar bem o protesto face às alegadas desigualdades das medidas anunciadas pelo governo conservador belga eleito em outubro do ano passado. Uns como inspetores, outros como milionários a quem a austeridade não preocupa. O primeiro-ministro Charles Michel teve direito a uma representação particular.


O presidente do Movimento Reformador (MR), o partido do atual chefe de Governo, reafirmou a ambição do executivo de privilegiar o “diálogo social” e uma concertação com o patronato. Olivier Chastel apelou aos sindicatos para não permitirem o estabelecimento de “um clima de guerrilha permanente” e explicou que, por exemplo, “a reforma fiscal” proposta “prevê uma redução bem significativa das despesas patronais” com o objetivo de “criar mais emprego.”
Chastel destacou ainda o compromisso do Governo em aumentar os salários mais baixos e os médios em cerca de 100 euros mensais, o que seria compensado com o aumento do IVA na eletricidade ou o aumento do imposto sobre o gasóleo”. “Não é correto afirmar que aos trabalhadores restam as migalhas nem que o Governo apoia cegamente os patrões”, concluiu o líder do MR.