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Será uma boa ideia fazer justiça através das redes sociais? O caso da Suíça

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Será uma boa ideia fazer justiça através das redes sociais? O caso da Suíça

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Na Suíça, os cidadãos interrogam-se sobre a relação entre as redes sociais na Internet e a justiça. Recentemente, uma loja de joias foi roubada. Os

Na Suíça, os cidadãos interrogam-se sobre a relação entre as redes sociais na Internet e a justiça. Recentemente, uma loja de joias foi roubada. Os ladrões fugiram. O dono, Yannick Meylan, decidiu informar a polícia e publicar as fotos das câmaras de vigilância na Internet.

Point of view

As pessoas são mais severas do que a justiça e mais vingativas do que o Estado de direito.

“Queríamos apoiar a polícia de forma firme e rápida, porque a polícia estava a trabalhar, a bloquear as estradas para nos defender”, disse o dono da loja.

Graças à publicação das fotografias, os ladrões foram detidos pela polícia, cinco horas após o roubo. Para Yannick Meylan, o resultado é positivo.

“Sim, é positivo, prendemos os criminosos. Não vão fazer mal a ninguém nos próximos meses. Trata-se de uma ferramenta. Nós podemos ser parceiros das autoridades”, considerou Yannick Meylan.

Segundo a polícia suíça, o método pode parecer eficaz mas é ilegal. Cabe aos agentes da polícia e da justiça autorizar ou não a publicação das fotografias.

“O que é certo é que se trata de um meio utilizado pela polícia. Não é usado de forma sistemática nem precipitada. Há uma reflexão prévia. É preciso ter em conta elementos básicos da justiça, como o direito ao esquecimento, a presunção de inocência a proporcionalidade. Não fazemos o que queremos. Por isso, não é desejável que o cidadão faça algo que o Estado não faz neste tipo de processos. As pessoas são mais severas do que a justiça e são mais vingativas do que o Estado de direito”, sublinhou Olivier Gueniat, comandante da polícia cantonal de Neuchatel.

Na maioria das vezes, a polícia não está sequer a par das queixas que circulam na Internet.

Recentemente, em Genebra, uma internauta publicou fotografias de um homem suspeito de seguir mulheres, na rua, à noite.

A internauta afirmou que preferiu dar o seu testemunho nas redes sociais do que apresentar queixa junto da polícia.

“Foi mais fácil recorrer a uma rede social. Nesse dia, à tarde, vi que a imagem tinha sido partilhada. Por isso não achei necessário apresentar queixa”, afirmou a internauta, sob anonimato.

Para a polícia, a queixa formal é uma etapa essencial.

“Eu prefiro que as ações ligadas à justiça sejam realizadas por pessoas qualificadas e formadas, que possam ser controladas pelas auotoridades competentes. Se o cidadão começa a tomar esse poder, significa que há uma rutura de confiança entre os cidadãos e a justiça”, disse Olivier Guéniat.

As redes sociais podem ser uma ferramenta útil em numerosos domínios mas a polícia receia que possam abrir portas à criação de um sistema de justiça paralelo e sem controlo, pondo em causa o bom funcionamento de um dos pilares da democracia.