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Refugiados: Todos os caminhos levam à Europa

As Perspetivas desta semana debruçam-se sobre a sorte dos milhares de refugiados que tentam asilo na Europa. Um tema em destaque em todas as estações

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Refugiados: Todos os caminhos levam à Europa

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As Perspetivas desta semana debruçam-se sobre a sorte dos milhares de refugiados que tentam asilo na Europa. Um tema em destaque em todas as estações de televisão europeias. Selecionámos quatro reportagens:

Merkel e Hollande no Parlamento Europeu para uma frente comum sobre os refugiados. A chanceler alemã manifestou-se pela solidariedade, uma escolha que tem consequências na sua quota de popularidade na Alemanha. A reportagem da France 2

Todos os dias chegam milhares. O fluxo de migrantes não diminui. A Alemanha não tem mãos a medir. A opinião pública começa a mudar. No principio de setembro, 66% aprovavam o acolhimento dos refugiados bloqueados na Hungria; agora 59% dizem não. A Alemanha crispa-se e eles são o símbolo dessa crispação, os simpatizantes do movimento de extrema direita, PEGIDA, voltam a manifestar-se contra os refugiados, contra o Islão, contra Angela Merkel.

“A politica de Madame Merkel nesta questão vai contra o interesse nacional, isso incomoda-me, é quase uma traição”, afirma um manifestante.

Um discurso minoritário mas muitos alemães dão-se conta de que as autoridades estão em dificuldades quando vêem este tipo de cenas multiplicarem-se.Diante de um centro de registo em Berlim, centenas de refugiados precipitam-se para ter um lugar. Infelizes dos que caiem. São espezinhados pelos outros O balanço são cinco feridos e é um milagre! Neste dia, 1500 pessoas vieram depositar um pedido de asilo, só 300 foram recebidas.

“Eu esperei uma semana para ter um número”, queixa-se um homem.

A atmosfera é elétrica, as escaramuças frequentes, os voluntários que estão aqui reclamam mais meios e o mais depressa possível.

“Vê-se bem que a situação é catastrófica, porque é que não se ativa um plano de ermergência?”, pergunta um voluntário.

Será que Angela Merkel subestimou a situação? As críticas chovem mesmo no seio do seu partido. Ela assume a sua política e lembra que pode também mostrar firmeza, ao afirmar: “Os que vieram por razões económicas vão ter que partir.”

Angela Merkel perdeu já 10 pontos de popularidade desde o princípio desta crise, mas mantém ainda 54% de opiniões favoráveis e o seu partido, a CDU, não perdeu nada em termos de intenções de voto”.

Oficialmente a Alemanha espera acolher entre 800 mil e um milhão de migrantes em 2015. Mas o fluxo de pedidos de asilo, 10 mil por dia, ultrapassa em muito as expetativas das autoridades. A reportagem da SR suíça.

Esperar até que o número apareça. Todos os dias vêm aqui, ao centro de registo de Berlim, centenas de pessoas para pedirem asilo. Mas, ninguém sabe quando é que o seu pedido será tratado.

“Nós estamos à espera há 18 dias”., afirma uma rapariga.
-18 dias? – “Sim, outros esperaram mais tempo, 30 dias”. – Qual é o seu número? – “O N2”
-Já o conhece de cor? – “Claro, e digo-o a todos os meus amigos para que o saibam e que me possam prevenir”.

Neste momento a gestão dos pedidos de asilo é da responsabilidade da chancelaria e esperamos que isto melhor em termos de ordem e de eficácia. Muitas vezes os refugiados perdem a paciência e a polícia tem que intervir.

Há muita gente, mas nem todos fugiram da guerra na Síria. Este homem, por exemplo, vem da Bósnia. Foge da pobreza. E vai ter que partir.

Até agora a responsabilidade com os refugiados era do ministro da Administração Interna. Muitos acusam o ministro, De Mazière, de não estar à altura. No círculo governativo dizem que não estão a pô-lo de lado, mas é preciso concentrar as competências dos diversos ministros sob a alçada da chancelaria, para melhorar a organização.

O êxodo dos sírios encontra todos os dias novas rotas em direção à Europa ocidental. Aqui é através do norte da Noruega que chegam cada vez mais refugiados. A Suécia é um dos países de destino preferidos dos refugiados. Uma história da France 3

À chegada de cada comboio proveniente da Dinamarca, o cenário repete-se: dezenas de adolescentes, sozinhos, saiem das carruagens e reagrupam-se, completamente perdidos, no centro da gare. Ao enviá-los para a Europa, os pais esperam poder oferecer-lhes, à distância, uma vida longe da guerra.
Estes jovens, todos menores, são esperados à chegada a Malmö e conduzidos a centros como este. Uma espécie de albergue de juventude para crianças desenraizadas.
Ali tem 14 anos e acabou de chegar do Afeganistão.

Neste mapa conta-nos a sua viagem a pé através da Bulgária, da Hungria, da Alemanha…Depois, o seu dedo perde-se na imensidão do caminho que percorreu. Estes adolescentes, que chegam muitas vezes extenuados, encontram aqui um pouco de reconforto… como podem..

“Têm uma cama, têm a possibilidade de tomar duche, podem comer e ter roupas lavadas. Podem também descansar. Depois perguntam-lhes se precisam de um médico ou de um psicólogo”, explica um elemento do centro.

Todas as semanas chegam várias centenas e a presença de cada um é assinalada aqui neste quadro.

“Preenchemos este quadro todos os dias, temos uma capacidade de 36 lugares, mas albergamos neste momento mais de 40 crianças. Ao fim de quatro ou cinco dias vão-se embora para tratarem dos papéis e chegam outros todos os dias”.

Depois de algumas noites aqui é a hora destes jovens deixarem o albergue e irem inscrever-se no gabinete da imigração.

“Quando chegam a este edifício, as crianças têm que preencher um formulário onde têm que escrever o nome, a idade e o país de origem. Desde o início do ano chegaram à Suécia mais de 10 mil adolescentes sozinhos que pediram asilo e 90% deles já o obtiveram”.

Assim que obtém o cartão de residentes, os jovens são repartidos por diferentes cidades na Suécia, tendo como primeiro objetivo a aprendizagem da língua.

“É muito difícil quando chegamos porque não conhecemos a língua, mas agora já é melhor, porque estou a aprender todos os dias”, afirma um jovem refugiado”.

Em Malmö esta organização foi criada por antigos menores que chegaram sozinhos. Tornados adultos e agora bem integrados ajudam com a sua experiência os que desembarcam aqui. O responsável da organização chegou da Somália há sete anos.

“Decidimos criar uma organização que pudesse ao mesmo tempo representar-nos e representar estas crianças que chegam à Suécia. E funciona muito bem, porque os que chegam a Malmö sentem-se quase como em casa”, conta.

Amanhã e nos dias seguintes outros adolescentes vão perder-se na gare de Malmö. Todos sabem que quando passarem esta ponte que liga a Dinamarca à Suécia espera-os o desafio de construirem uma nova vida, sozinhos e longe dos seus”

Do outro lado da Europa, para além da fronteira entre a Espanha e Marrocos, os refugiados sírios sonham em chegar a Melilla, o enclave espanhol na costa africana. A reportagem da TVE Internacional.

Um grupo de sírios mostra-nos o sítio onde se alojam em Nador, no norte de Marrocos. Nestes apartamentos vivem amontoadas 70 pessoas, crianças incluídas. É o único alojamento que podem pagar nas proximidades de Melilla. A 13 quilómetros daqui encontra-se a passagem tão desejada para a Europa.

“Todas as manhãs vamos à fronteira e tentamos passar para Espanha, mas a fronteira marroquina está fechada para os sírios. Há intermediários que trabalham com a polícia e que nos deixam passar se pagarmos mil euros” – diz Mohamed.

“Vestimos as jellabas, as roupas tradicionais marroquinas, para parecermos marroquinos e para que não nos peçam o passaporte, mas a polícia conhece bem a nossa fisionomia” – diz-nos Hassan, que já está há oito meses em Nador, e que, como muitos outros, já gastou todo o dinheiro e a esperança.

Aqui em Nador, concentra-se a maioria dos sírios que quer chegar à Europa através de Marrocos, refugiados que fugiram da guerra em voos para a Argélia, porque o país não pedia vistos. Agora estão retidos aqui sem poderem prosseguir a viagem.

Desde o início do ano o Alto Comissariado para os Refugiados (ACR) registou mais de dois mil sírios em Marrocos. Cerca de metade acaba por abandonar o projeto de chegar à Europa.