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Segurança rodoviária: Mais de 40.000 brasileiros morrem na estrada por ano

O Brasil é, de longe, o país da comunidade de países de Língua oficial portuguesa (CPLP) onde são registados mais mortos na estrada a cada ano.

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Segurança rodoviária: Mais de 40.000 brasileiros morrem na estrada por ano

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O Brasil é, de longe, o país da comunidade de países de Língua oficial portuguesa (CPLP) onde são registados mais mortos na estrada a cada ano. A conclusão parte de um estudo publicado esta semana pela Organização mundial de Saúde (OMS), no qual é indicado que na maior economia da América do sul morrem por ano 41.049 pessoas vítimas de acidentes rodoviários.

O estudo, que não inclui a Guiné Equatorial, parte de uma base de população registada no Brasil em 2013 de mais de 200 milhões de habitantes e conclui que por cada 100 mil brasileiros há 23,4 a morrer na estrada. A maioria parte, 28 por cento, vítima de acidentes envolvendo veículos de 2 ou 3 rodas. Um quinto dos brasileiros a morrer em acidentes rodoviários são peões e 3 por cento ciclistas.

[ O perfil do Brasil no estudo da OMS]

Em Portugal, onde foram contabilizados 10,6 milhões de habitantes, há 637 de mortos na estrada, o que equivale a 7,8 vítimas mortais por cada 100 mil habitantes.

A maior parte, 31 por cento, perde a vida ao volante de automóveis ligeiros, logo seguido de peões (23 por cento) e dos condutores de veículos de 2 ou 3 rodas (20 por cento). Os ciclistas representam 4 por cento das mortes rodoviárias portuguesas.

[ O perfil de Portugal no estudo da OMS ]

Moçambique surge como o país onde mais pessoas, por número de habitantes, perdem a vida em acidentes rodoviários: 31,6 por cada 100 mil habitantes. África é, aliás, o continente, onde mais mortes na estrada são reportadas.

A Organização Mundial de Saúde relaciona o maior numero de mortos em acidentes rodoviários com os países de menor capacidade económica. O estudo mostra que nos países com um menor Produto Interno Bruto (PIB) per capita se registam mais do dobro das mortes na estrada do que nos de melhores rendimentos.

Cerca de 90 por centos das mortes em acidentes de viação em todo o mundo acontecem nestes países mais pobres, nos quais, curiosamente, existem apenas 54 por centos de todos os veículos rodoviários do mundo.

(“Relatório: Apesar do progresso, as mortes na estrada continuam a ser muitas: 1,25 milhões por ano.”)

O país onde morrem mais pessoas por habitante é a Líbia. Com 6,2 milhões de pessoas, em 2013 foram reportadas 4398 mortes nas estradas deste país do norte de África, o que equivale a 73,4 vítimas fatais em acidentes rodoviários por cada 100.000 habitantes.

Entre as três maiores economias do mundo, os Estados Unidos apresentam 10,6 mortes por cada 100.000 habitantes, a China soma 18,8 e o Japão apenas 4,7.

Na União Europeia, a Suécia surge como o país mais seguro, com apenas 2,8 mortos por cada 100.000 habitantes, seguida do Reino Unido (2,9) e da Holanda (3,4). A Espanha apresenta um registo de 3,7 e surge à frente da Alemanha (4,3) e da França (5,1).

(“Factos da segurança na estrada: 3 em cada 4 mortes na estrada são homens.”)

A OMS conclui ainda que a morte na estrada é a causa de morte mais usual entre pessoas com idades entre os 15 e os 29 anos., à frente do suicídio e do vírus da SIDA.

[ Relatório de segurança rodoviária 2015 da OMS ]

Em setembro, os chefes de Estado presentes na Assembleia Geral das Nações unidas adotaram novas estratégias para a segurança rodoviária, com o objetivo de reduzir o número de acidentes, de mortos e de feridos nas estradas até 2020.

(“49 por cento de todas as mortes na estrada são entre peões, ciclistas ou motociclistas.”)

A 18 e 19 de novembro, o Brasil será o anfitrião da segunda Conferência global de Alto Nível sobre Segurança Rodoviária. Uma consulta de sugestões decorreu nos últimos meses envolvendo os Estados-membros e organizações ligadas à ONU, organismos intergovernamentais, organizações não-governamentais e entidades privadas.

O objetivo era elaborar um primeiro esboço do que deverá vir a ser a “Declaração de Segurança Rodoviária de Brasília”. O texto final deste esboço foi finalizado no início de setembro, em inglês, e está publicado em mais 5 idiomas (Árabe, chinês, francês, russo e espanhol).

[ Versão zero da declaração de Brasília sobre segurança rodovi´ria]