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Derrame de sangue prossegue na Cisjordânia e líder da ONU aponta dedo a Israel

Dois novos ataques isolados contra israelitas foram registados esta quarta-feira, na Cisjordânia. Num deles, uma mulher polícia de 19 anos foi

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Derrame de sangue prossegue na Cisjordânia e líder da ONU aponta dedo a Israel

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Dois novos ataques isolados contra israelitas foram registados esta quarta-feira, na Cisjordânia. Num deles, uma mulher polícia de 19 anos foi esfaqueada e terá ficado em estado crítico.

O primeiro ataque aconteceu junto ao colonato judeu de Ofra, próximo da cidade de Silwad. Um palestiniano terá atropelado um polícias israelita de serviço num posto de controlo rodoviário. O guarda terá sofrido ferimentos ligeiros e o agressor abandonou o carro, que tinha matrícula israelita, terá fugido a pé para Silwad, mas acabaria detido pela tarde.

O segundo ataque deu-se próximo do colonato de Geva Binyamin, a nordeste de Jerusalém. Uma mulher polícia foi esfaqueada com gravidade e, de acordo com a imprensa israelita, está em estado crítico. O ataque terá sido conduzido por dois homens: um foi morto e outro foi detido no local.

Estes novos ataques acontecem no mesmo dia em que decorreu, em Beit Awwa, na província de Hebron, na Cisjordânia, o funeral de Odai Masalma, um palestiniano de 24 anos morto pelas forças de segurança israelitas após esfaquear na terça-feira um militar judeu.

De visita ao Presidente da Autoridade Palestiniana, em Rammalah, o Secretário-geral das Nações Unidas recuou até ao que entende ter sido o início da presente onda de violência israelo-palestiniana e endereçou uma mensagem implícita a Benjamin Netanyahu.

“Estou profundamente preocupado pelas repetidas provocações no santuário de Jerusalém que instigaram a presente onda de violência. Resolver as tensões latentes é urgente para reverter a tendência de agravamento da situação”, afirmou Ban Ki Moon, numa conferência de imprensa em que esteve ladeado por Mahmoud Abbas.

A presente onda de violência terá sido espoletada em meados de setembro após o governo israelita ter limitado o acesso de muçulmanos ao Monte do Templo, na Cidade Velha de Jerusalém, por alegada utilização do local sagrado islâmico por jovens palestinianos para preparar uma revolta violenta.

Os palestinianos menores de 50 anos e as mulheres islâmicas foram proibidos de aceder às mesquitas, numa medida, entretanto, já levantada.

A Cidade Velha de Jerusalém é reconhecida pela UNESCO como um santuário de diálogo entre as 3 religiões monoteístas — cristianismo, judaísmo e islamismo — e Israel está obrigado a reconhecer o “status quo” do local, o qual delimita que apenas muçulmanos podem aceder à Esplanada das Mesquitas para rezar, sendo o acesso limitado a judeus, os quais poderão orar no Muro das Lamentações. “A diretora-geral da UNESCO emitiu um comunicado a renovar as “profundas preocupações” pela situação em Jerusalém”:http://en.unesco.org/news/statement-director-general-unesco-irina-bokova e pela forma como Israel está a gerir a Cidade Velha.

A revolta palestiniana agravou-se na segunda metade de setembro, em especial devido às sextas-feiras, dia sagrado do Islão, nas quais os palestinianos tinham de rezar nas ruas, a céu aberto, ao redor do Monte do Templo.

Em outubro, a violência alastrou à Cisjordânia e os confrontos agravaram-se. A ocorrência de ataques isolados contra Israel foi aumentando, a maioria à faca e com os agressores palestinianos, regra geral, a acabarem mortos a tiro.

Só em outubro, o conflito israelo-palestiniano já terá feito cerca de 60 de mortos, incluindo 10 israelitas.