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Síria: Putin sonda Bashar al-Assad sobre eventual apoio russo à oposição

O Presidente da Rússia revelou esta quinta-feira estar a ponderar apoiar as forças armadas opositoras ao regime de Bashar al-Assad, se estes grupos

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Síria: Putin sonda Bashar al-Assad sobre eventual apoio russo à oposição

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O Presidente da Rússia revelou esta quinta-feira estar a ponderar apoiar as forças armadas opositoras ao regime de Bashar al-Assad, se estes grupos, a existirem, revelarem um objetivo genuíno de combater o terrorismo na Síria. Orador no Fórum do Clube Vladai, em Sochi, no sul da Rússia, Vladimir Putin revelou ter sondado o Presidente sírio sobre a eventualidade de estender à oposição o apoio que Moscovo tem vindo a dar a Damasco.

“Perguntei a Al-Assad como é que ele via uma força armada da oposição que estivesse preparada de forma genuína para combater os militantes do grupo Estado Islâmico e como é que ele reagiria se a Rússia apoiasse os esforços desses opositores na luta contra o terrorismo da mesma forma que apoiamos o exército sírio. Assad respondeu de forma afirmativa”, garantiu.

(“Putin: a NATO expandiu-se, mísseis nas nossas fronteiras, a Rússia tinha de agir.”)

Putin falou ainda da possibilidade de a intervenção militar russa na região se expandir da Síria para o Iraque, onde o grupo autoproclamado Estado Islâmico também está a operar, mas para já esse alargamento da operação está posto de parte porque o Governo iraquiano não o solicitou.

Em relação a intervenção militar da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos, contra o grupo Estado Islâmico, o Presidente russo denunciou o “jogo duplo” colocado sobre o tabuleiro.

“É sempre difícil dizer que lutamos contra os terroristas e, em simultâneo, tentar utilizar parte deles para fazer avançar os nossos piões no Médio Oriente e servir os nossos interesses”, disse Putin, defendendo que “é uma ilusão acreditar que será possível desembaraçarem-se de seguida” dessa parte dos terroristas de que se serviram, numa clara alusão às forças ocidentais a operar na Síria e no Iraque.

(“As ruas de Leningrado (So Petersburgo) ensinaram-me uma coisa – se lutar é inveitável, dá o primeiro murro.”)

O líder russo apelou ainda a que “não se brinque com as palavras e se classifiquem os terroristas como moderados e não moderados”. Putin é da opinião de que, caso Damasco e Bagdade ficassem sob controlo dos “jihadistas”, isso seria um “trampolim para a sua expansão mundial.”

Kiev não respeita Minsk e rublo já estabilizou

O líder do Kremlin abordou ainda o conflito na Ucrânia, reiterando a acusação de que o Governo de Kiev não está a respeitar os acordos estabelecidos em Minsk, em fevereiro, os quais são — alegou — a única forma de se chegar a um entendimento pacífico entre as forças armadas ucranianas e os grupos separatistas pró-russos.

O homem forte da Rússia falou ainda do “estado de saúde” da moeda russa, numa altura que o país se mantém sob fortes sanções do ocidente e afetado pela baixa do preço do petróleo. “Temos de prestar atenção à divisa nacional e o banco central está a fazer isso com grande confiança. O rublo está sujeito a certas flutuações de mercado relacionadas com o preço do petróleo. Ainda assim, já estabilizou”, assegurou Putin.