Última hora

Última hora

Polónia: Partido Direito e Justiça pode formar governo sozinho

O Partido, conservador e eurocético, Direito e Justiça venceu as eleições legislativas na Polónia. O líder do partido, Jaroslaw Kacynski, e a futura

Em leitura:

Polónia: Partido Direito e Justiça pode formar governo sozinho

Tamanho do texto Aa Aa

O Partido, conservador e eurocético, Direito e Justiça venceu as eleições legislativas na Polónia. O líder do partido, Jaroslaw Kacynski, e a futura primeira-ministra, Beata Szydlo, inclinaram o país para a direita, com esta vitória. Uma vitória que acontece poucos meses depois de Andrzej Duda ter sido eleito presidente da Polónia – também ele candidato do Partido Direito e Justiça.

É a primeira vez, em 26 anos, que um partido consegue a maioria absoluta no parlamento. O partido conservador, muitas vezes apelidado de populista, apelou, principalmente, aos eleitores das zonas rurais mais desfavorecidas. Com um programa atrativo, que prometia baixar os impostos, fazer alterações à idade da reforma e aumentar os benefícios sociais.

A nível internacional, a gestão da crises dos imigrantes será um dos assuntos em destaque. É conhecida a simpatia entre Kaczynski e o primeiro-ministro húngaro Victor Orbán. Não seria de estranhar uma união dos dois países, relativamente ao sistema de quotas e ao acolhimento de refugiados. O euroceticismo, o nacionalismo e uma aproximação aos Estados Unidos também estarão no programa.

“É preciso enfatizar a importância da Polónia enquanto país que defende os interesses dos seus cidadãos”, diz Beata Szydlo. Defender os seus interesses, mesmo que isso signifique confrontar os parceiros europeus. Tal como aconteceu com a Alemanha entre 2005 e 2007, quando os gémeos Kaczynski geriam os destinos do país.

Sem virar as costas à Europa, mas não se submetendo à sua vontade. A Polónia, dos irmãos Kaczynski, nunca escondeu a amizade com os Estados Unidos e vontade de dar prioridade à relação com os norte americanos.

A direita conquistou uma surpreendente vitória nas eleições legislativas, no domingo passado, na Polónia.
O Partido Direito e Justiça vai poder formar governo sozinho. Para compreender melhor o que isto significa para o país e para a Europa, conversámos com a jornalista Dominika Cosic – a partir de Bruxelas.

Nelson Pereira, euronews: como é que Partido Direito e Justiça conseguiu ganhar as eleições?

Dominika Cosic: “Em primeiro lugar, não devemos ficar assustados. Temos de dar uma oportunidade ao partido. Ganhou por várias razões. Os eleitores polacos estavam cansados do governo da Plataforma Cívica – até mesmo Donald Tusk admitiu, durante um encontro com jornalistas polacos, que estava na altura de haver uma mudança. O resultado também pode ser explicado devido a uma nova geração de eleitores. Há dez anos, acreditava-se que quem votava no partido Direito e Justiça eram os idosos, sem formação universitária e das zonas rurais. Não eram jovens com formação das grandes cidades. Os utilizadores da Internet votavam na Plataforma Cívica. Agora estamos a assistir a uma mudança – o partido Direito e Justiça teve um apoio significativo de pessoas mais jovens, com bastante formação.”

euronews: Devemos esperar grandes mudanças na política externa da Polónia? Por exemplo, em relação à crise dos refugiados, à Rússia e à Ucrânia.

Dominika Cosic: “Começando pela Ucrânia, não creio que a Polónia vá mudar muito a sua política. Varsóvia pode até reforçar o apoio a uma Ucrânia democrática e soberana. Relativamente à Rússia, questionam-se relações entre Moscovo e Varsóvia tinha melhorado, mas deterioraram-se ao longo do último ano e meio, devido à guerra na Ucrânia e à anexação da Criméia. O novo governo terá de enfrentar estas questões. A Rússia é um parceiro difícil. Alguns políticos na Europa vão questionar as relações com a Alemanha. Nas últimas semanas, Berlim cometeu um grave erro, com o projeto do gasoduto North Stream, que ameaça a segurança energética da Polónia. O novo governo terá de lidar com esse projeto, que tem o apoio da chanceler Merkel. E a crise dos refugiados… O novo governo, provavelmente, não vai renegociar com Bruxelas sobre os 7 mil refugiados que o país se comprometeu a receber. O problema pode ser a decisão de acolher um maior número de pessoas. Em vez disso, o governo irá concentrar-se na necessidade de reforçar a agência Frontex e as fronteiras externas da UE.”

euronews: Quais são os principais desafios do governo?

Dominika Cosic: “O Partido Lei e Justiça fez muitas promessas tais como a diminuição da idade da reforma e a introdução de um subsídio por cada criança, numa tentativa de inverter as atuais tendências demográficas da Polónia.”