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O que acontece quando o BCE não anuncia medidas?

Neste Business Middle East vamos olhar para as consequências da última reunião do Banco Central Europeu. No Business Snapshot exploramos o novo

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O que acontece quando o BCE não anuncia medidas?

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Neste Business Middle East vamos olhar para as consequências da última reunião do Banco Central Europeu. No Business Snapshot exploramos o novo desafio financeiro que Abu Dhabi enfrenta.

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O BCE não tomou nenhuma decisão. Os mercados estão a agir com base em estimativas, não em factos.

Começamos pela posição do BCE, que mantém inalteradas as taxas de juro, mas abriu a porta ao alargamento da compra de dívida privada e soberana. Uma possibilidade que beneficiou os títulos europeus, baixando os juros de dívida. Os investidores interpretaram as declarações de Mario Draghi como favoráveis ao prolongamento dos estímulos financeiros depois do próximo encontro de dezembro. No entanto, o euro registou uma queda acentuada.

O BCE vai ou não agir em dezembro?

Tal como era esperado, o BCE não anunciou qualquer intervenção imediata. No entanto, após a reunião de política monetária em Malta, Mario Draghi voltou a sugerir que o pacote de estímulos focado na flexibilização quantitativa – ou seja, compra de dívida soberana pelo BCE – pode ser prolongado na sequência do encontro de dezembro. Mais, segundo o presidente do BCE, “uma nova redução da taxa de facilidade permanente de depósito esteve em cima da mesa”, como um dos instrumentos sujeito a ponderação.

Depois do anúncio de Draghi e dos cortes das taxas de juro na China, o euro sofreu perdas significativas face ao dólar, aliás as mais expressivas em nove meses. Até ao final da semana, a queda atingia quase os 3%. No entanto, as perspetivas sobre a zona euro reforçaram o índice alemão DAX em mais de 5,6% e o francês CAC40 em 5,32%.

A opinião de Nour Eldeen al-Hammoury, da ADS Securities

Daleen Hassan, euronews:

As declarações de Draghi impulsionaram os mercados europeus no final da semana passada. É uma recuperação que tem margem para continuar? Até que ponto o corte das taxas de juro chinesas contribuiu para este cenário?

Nour Eldeen al-Hammoury:

Mais uma vez, os mercados reagiram apenas com base nas expetativas sobre os estímulos que o BCE poderá implementar. Isto independentemente do conteúdo das próprias medidas, seja o corte nas taxas de depósito ou o aumento da compra mensal de dívida soberana. A questão mais importante aqui é que o BCE não tomou nenhuma decisão. Os mercados estão a agir com base em estimativas, não em factos. E isso é preocupante. Os resultados da compra de dívida não foram suficientemente positivos no terceiro trimestre e as previsões do quarto foram revistas em baixa. Quanto à intervenção na China foi uma medida que impulsionou os papéis asiáticos, sobretudo os índices chineses, que acumularam cerca de 1% no início da semana.

euronews:

A queda do euro pode prolongar-se? E que impacto tem tido sobre o mercado cambial do Médio Oriente?

Nour Eldeen al-Hammoury:

Aqui no Médio Oriente assistimos a um aumento significativo das transações em euros durante o encontro do BCE. As vendas da moeda europeia dispararam assim que Mario Draghi falou da possibilidade de um corte nas taxas de depósito. Aquilo que aconteceu na reunião da semana passada pode ser idêntico ao que aconteceu no encontro em setembro. Na altura, o Banco Central Europeu falou da hipótese de mais incentivos a anunciar nas reuniões seguintes e o euro caiu antes de iniciar uma nova subida. Neste momento estamos à espera dos dados económicos que os Estados Unidos vão divulgar esta semana e ainda do resultado do encontro da Reserva Federal, que provavelmente não vai reforçar o dólar, podendo contribuir para a estabilização do euro.

Business Snapshot: O novo mercado global de Abu Dhabi

Trata-se de um projeto impulsionado pelo governo, que pretende diversificar as instituições económicas e criar alternativas ao setor do petróleo. Uma das vantagens apresentadas é a localização estratégica de Abu Dhabi, que pode ocupar um espaço nas transações globais no meio do eixo Tóquio-Londres.

“Pronto para começar a negociar” – foi o anúncio feito, na passada quarta-feira, pelo novo mercado global de Abu Dhabi, que convida particulares ou instituições a subscreverem serviços financeiros. O conceito base do projeto é a criação de uma zona de livre comércio que disponha de uma gestão independente e de um quadro judicial específico, de forma a atrair bancos e empresas do mundo inteiro. Numa primeira fase, a ADGM pretende centrar-se na gestão de património e em ativos bancários.

Lord David Hobe preside o controlo legal deste mercado; Ahmed Ali Al Sayegh lidera o Conselho de Administração. O antigo responsável pelas autoridades reguladoras de Singapura, Richard Teng, será o diretor executivo.

Fisicamente, o mercado situa-se na ilha Al-Maryah, a 130 quilómetros dos concorrentes do centro financeiro internacional do Dubai. O novo Mercado Global de Abu Dhabi (ADGM) enfrenta agora o desafio de criar uma identidade própria face à concorrência do centro financeiro do Dubai. No entanto, o presidente do Conselho de Administração acredita que há espaço para dois mercados que possam trabalhar em complementaridade, à semelhança do que acontece com Singapura e Hong Kong.