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Deutsche Bank despede 15.000 mas filial portuguesa é poupada

O Deutsche Bank anunciou esta quarta-feira uma reestruturação internacional com novas metas para 2020. O maior banco alemão pretende reduzir custos

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Deutsche Bank despede 15.000 mas filial portuguesa é poupada

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O Deutsche Bank anunciou esta quarta-feira uma reestruturação internacional com novas metas para 2020. O maior banco alemão pretende reduzir custos em cerca de 3,8 mil milhões de euros nos três próximos anos e para isso anunciou, por exemplo, o despedimento de 9000 trabalhadores diretos mais 6000 contratados por empresas externas — 15 mil no total. Portugal não será, contudo, afetado.

“Nós não vamos ser afetados nem na estratégia de negócio nem na redução de postos de trabalho”, assegurou ao Expresso o porta-voz do Deutsche Bank – Portugal.
Ao Económico, Francisco Pinto Machado garantiu mesmo que o braço português não sofrerá quaisquer efeitos da estratégia de redução de custos agora apresentada: “nem em despedimentos, nem em reformas antecipadas, nem no fecho de balcões, em nada.”

(“Deutsche Bank anuncia a estratégia para 2020.”)

O Deutsche Bank emprega cerca de 450 pessoas em Portugal, onde possui 55 balcões e dois centros de “private banking”. A dimensão da empresa em Portugal é adequada e corresponde ao plano de negócios definido há 10 anos, defendeu Pinto Machado, acrescentando que os últimos 3 anos têm sido de consolidação e, por isso, “nao há razão para ser afetada, nem numa lógica de recessão.”

 

Quem é John Cryan?

É um empresário britânico de 54 anos, casado e sem filhos. Nasceu a 16 de dezembro de 1960, em Harrogate, Yorkshire Norte. Licenciou-se na Universidade de Cambridge, trabalhou na consultora Arthur Andersen e no banco de investimento londrino SG Warbug estrangeiro antes de ser apontado ao cargo de diretor financeiro do grupo financeiro suíço UBS, em setembro de 2008, após a rebentar da crise. Em janeiro de 2012, passou pela Temasek, como presidente para a Euriopa da empresa de investzimento de Singapura. A 1 de julho deste ano foi o escolhido para copresidir ao Deutshe Bank ao lado de Jürgen Fitschen até maio de 2016.

O anúncio da redução de custos coube ao britânico John Cryan, o copresidente executivo do maior banco alemão desde junho passado. “Vamos ter de fechar algumas das nossas filiais na Alemanha. Vamos mesmo sair por completo de alguns países”, afirmou Cryan.

Os países que vão deixar de contar com a presença do Deutsche Bank são a Argentina, o Chile, o México, o Peru, o Uruguai, a Dinamarca, a Finlândia, Malta e3 Nova Zelândia. Algumas atividades de negócio a funcionar no brasil vão mudar-se para outros centros regionais e globais.

Os accionistas do maior banco alemão também são afetados pelo plano para 2020, ficando privados de dividendos pelo menos neste e no próximo ano. O banco acredita que poderá voltar a recompensar os accionistas em 2017.

“Não assumimos que 2016 e 2017 venham a ser anos mais fortes. O custo do investimento necessário para resolver muitos dos nossos problemas de litigação e regulação vão continuar a ser um fardo nos nossos resultados”, avisou John Crayon.

Só em processos litigiosos, por exemplo, o Deutsche Bank está envolvido em cerca de 6000 casos e os custos ascendem a cerca de 1,2 mil milhões de euros, a que se somam também perdas recorde de 4647 milhões de euros entre janeiro e setembro deste ano e a multa recorde de 2,2 mil milhões de euros pelo encolvimento num escâbadalo de maniuplação de taxas de juros.

(“Deutsche Bank anuncia prejuízo líquido de 6 mil milhões de euros no terceiro trimestre de 2015, sem contar com itens específicos.”)