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Está a Turquia a distanciar-se cada vez mais da UE?

As eleições na Turquia decorrem entre a ameaça do terrorismo, a crise dos refugiados e o conflito curdo. O escrutínio e a aproximação ao bloco europeu, em debate no The Network.

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Está a Turquia a distanciar-se cada vez mais da UE?

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A Turquia vai a eleições antecipadas num momento crítico da sua história. O presidente Recep Tayyip Erdogan pretende alterar de novo o equilíbrio de forças que lhe tirou a maioria absoluta no último escrutínio de junho. No entanto, a maioria das sondagens não aponta vitórias expressivas.

Bruxelas promete canalizar milhões de euros para ajudar Ancara a enfrentar a crise dos refugiados. A questão curda é também premente: é cada vez mais violento o braço de ferro do governo com os rebeldes curdos. Que evolução tem a Turquia feito na área dos direitos humanos, no espaço mediático e em que ponto estão as relações com a União Europeia?

Convidámos para um debate no Parlamento Europeu em Bruxelas: Marietje Schaake, eurodeputada holandesa do grupo dos Democratas e Liberais, membro das comissões do Comércio Internacional e dos Direitos Humanos; Zafer Sirakaya, representante do AKP em Bruxelas, o partido do presidente turco; e Nikola Dimitrov, do Instituto para a Justiça Global de Haia, que promove debates sobre a resolução de conflitos.

Marietje Schaake salientou que “os media na Turquia são pressionados de forma sistemática. Não falamos apenas de insultos. Falamos de ataques pessoais a jornalistas, de intimidação, da motivação política por trás de multas impostas a órgãos de comunicação, de rusgas às instalações, da violência de que foi alvo um cronista recentemente. Tudo isto é muito preocupante e impede que haja espaço para debater e para haver eleições livres.”

Segundo Zafer Sirakaya, a prioridade é clarificar posições: “A primeira coisa que o HDP tem de fazer é mostrar que não tem relação com os terroristas do PKK. Não ouvimos ninguém do HDP a manifestar-se realmente contra os atos terroristas do PKK nos últimos seis meses. Uma outra questão é que insultar o primeiro-ministro e o presidente é uma coisa, a liberdade de imprensa é outra. Não há nenhum país europeu onde se possa chamar o presidente de assassino.”

Nikola Dimitrov considera que “a Europa está entre a espada e a parede. Por um lado, é preciso envolver a Turquia nos compromissos que forem alcançados para resolver a crise dos refugiados. Por outro, se não pensarmos a longo prazo, se não colocarmos em prática os valores que defendemos – a democracia, os direitos civis -, vamos acabar por comprometer a própria estabilidade na Turquia. E aí o desafio será muito maior do que a questão dos refugiados sírios.”