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As dúvidas e as histórias do fatídico voo 7K9268

A Rússia cumpriu ontem um dia de luto nacional pelas 224 vítimas do despenhamento do aparelho Airbus A321 da companhia russa Kogalymavia. Um dia

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As dúvidas e as histórias do fatídico voo 7K9268

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A Rússia cumpriu ontem um dia de luto nacional pelas 224 vítimas do despenhamento do aparelho Airbus A321 da companhia russa Kogalymavia. Um dia depois, mais de metade dos corpos foram já repatriados para Moscovo, onde as autoridades iniciaram o processo de identificação das vítimas.

Em paralelo, investigadores russos, egípcios e franceses tentam agora apurar as causas do despenhamento na região egípcia do norte do Sinai, alegadamente durante uma tentativa do piloto para realizar uma aterragem de emergência. Segundo as últimas informações, as equipas de investigadores ainda não teriam terminado as análises das caixas negras do aparelho, recuperadas após o incidente.

Ao contrário do que foi anunciado no sábado, a campanhia aérea russa descartou esta segunda-feira, a possibilidade de um erro humano ou de uma falha técnica ter estado na origem do incidente, quando o avião ter-se-ia partido em dois antes de embater no solo.

Um investigador citado pela agência Reuters descartava, esta tarde, a possibilidade do avião ter sido atingido por um objeto exterior. O porta-voz do presidente russo, Dmitry Peskov, garantia, por seu lado, que todas as hipóteses se mantêm em aberto, quando a investigação às causas do despenhamento ainda se encontram na fase preliminar. Militantes do grupo Estado Islâmico, ativos na zona do norte do Sinai, tinham reivindicado a queda do avião como um atentado, uma informação rapidamente desmentida pelas autoridades egípcias.

As vítimas da tragédia

O avião tinha-se despenhado cerca de uma dezena de minutos depois de descolar no sábado do aeroporto de Sharm el-Sheikh, com destino a São Petersburgo. A bordo seguiam 214 russos, pelo menos três ucranianos e um cidadão bielorusso. A maioria regressava da popular estância turística do mar vermelho. Na imprensa russa desfilam as histórias dos passageiros do avião, como a da pequena Darina, de apenas dez meses de idade, falecida no acidente com os pais, Tatiana e Aleksey, que tinham viajado ao Egito, no dia 15, para celebrar o primeiro aniversário de casamento.

Entre as vítimas encontram-se 25 crianças, incluindo, Nastya, de três anos, que viajava igualmente com os pais. No dia 31 de outubro, a mãe, Olga Sheina, escrevia nas redes sociais, “estamos a regressar a casa”, depois de celebrar o quarto aniversário de casamento com o marido e a filha na estância de veraneio egípcia. Outra família, os Bogdanov, um pai e três filhos, regressavam da primeira viagem ao estrangeiro, desde a morte da mãe, com cancro há três anos. Na sua página da rede social VK, Anastasia, de 22 anos, publicava, um “adeus fria Rússia”, antes de descolar de São Petersburgo semanas antes do incidente.

Entre as vitimas encontrava-se ainda o vice-presidente da região de Pskov, de 62 anos, Alexandre Kopilov e a mulher, Elena Melnikova, ou a jovem Alina Gaydamak, de 27 anos, que tinha decidido à última da hora viajar para o Egito, depois de passar uns dias com a mãe em Israel.

Entre as inúmeras histórias pessoais dos passageiros do aparelho acidentado, encontra-se também a do comissário de bordo Stanislav Sviridov, um dos sete tripulantes mortos no despenhamento. Casado com uma hospedeira, Stanislav tinha respondido à tradicional inquietação da mulher, antes da descolagem, com uma mensagem de texto, “não te procupes, se acontecer algo vais sabê-lo pelas notícias”.