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Reserva Federal dos EUA volta a deixar o mundo em suspense

Nesta edição, olhamos para o impacto das últimas decisões da Reserva Federal americana sobre o mercado cambial. No Business Snapshot, analisamos o mal-estar na Arábia Saudita devido ao corte do rating

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Reserva Federal dos EUA volta a deixar o mundo em suspense

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O banco central dos Estados Unidos (Fed) optou, mais uma vez, por não mexer nas taxas de juro. As implicações desta decisão fizeram com que também o Banco do Japão e o Banco da Nova Zelândia adiassem a aplicação de novas medidas de incentivo económico. Na verdade, as oscilações tanto do iéne japonês, como do dólar neo-zelandês ilustram as consequências do congelamento americano das políticas monetárias no mercado cambial.

Point of view

Se a intenção da Reserva Federal fosse realmente subir as taxas de juro, já o teria feito.

Fed ou como deixar o mundo em suspense

Era o que os mercados antecipavam: a Reserva Federal voltou a manter as taxas de juro em níveis muito próximos do zero. Resta esperar pelo que vai acontecer na próxima reunião das autoridades americanas em dezembro. A Fed relativizou alguns fatores em jogo, como a instabilidade do mercado chinês.

Também foi notória a ausência de referências ao desemprego para justificar a imobilização das políticas. A possibilidade de haver efetivamente uma mudança no final do ano fez com que os bancos centrais do Japão e da Nova Zelândia decidissem manter tudo inalterado também.

O dólar neozelandês enfrenta uma pressão cada vez maior. Do lado nipónico, optou-se por não mexer no programa de injeção de ativos, ou flexibilização quantitativa, que ascende a 80 biliões de iénes por ano. Tóquio decidiu rever em baixa as estimativas relativamente à inflação, tendo em conta um cenário no qual os preços no mercado energético se mantêm reduzidos. Posto isto, o iéne tem-se reforçado perante o dólar americano.

A opinião de Nour Eldeen al-Hammoury, da ADS Securities

Daleen Hassan, euronews: Porque é que a Fed tomou esta decisão, apesar do quadro negativo que nos chega dos Estados Unidos?

Nour Eldeen al-Hammoury: A razão pela qual a Fed mantém em aberto uma forte possibilidade de subir as taxas de juro é a defesa da sua credibilidade. Qualquer pessoa que olhe com atenção para os dados divulgados desde o início do ano percebe que a economia está a abrandar de forma considerável. Se a intenção da Reserva Federal fosse realmente subir as taxas de juro – como é insinuado em cada declaração que faz -, já o teria feito. O facto de o banco central americano ter voltado a dar a entender que pode subir as taxas em dezembro gerou previsões mais positivas. Mas desde o início do ano que a Fed fala nisso. Não há nada de novo. Daí que a nossa posição seja a de aguardar por novos dados económicos para ver se essa medida vai ou não ser tomada. Faltam poucas semanas para a reunião de dezembro da Fed. Portanto, durante as próximas semanas vamos perceber se pode ou não mexer nas taxas de juro.

euronews: Como é que o mercado cambial, especificamente o do Médio Oriente, se ressentiu desta decisão?

Nour Eldeen al-Hammoury: A decisão da Reserva Federal teve um impacto bastante positivo sobre o dólar americano, porque reforçou as estimativas de uma subida das taxas em dezembro. No Médio Oriente, as nossas plataformas assistiram ao aumento da procura pela moeda americana, e isso levou ao declínio do dólar neozelandês e do iéne japonês. No entanto, os dados económicos divulgados após a decisão da Fed não vieram ajudar o dólar americano. Isso, por sua vez, fez com que outras moedas recuperassem de novo as perdas registadas após o encontro da Reserva Federal. Tudo isto quer dizer que, no Médio Oriente, continua a haver margem negocial, apesar de todas as incertezas lançadas de cada vez que há uma reunião da Fed.

euronews: Esta semana, temos as reuniões do Banco de Inglaterra e do Banco da Austrália. Expetativas quanto a estes dois encontros?

Nour Eldeen al-Hammoury: Os quadros que temos estabelecido quer para a Austrália, quer para o Reino Unido, mostram que ambas as economias estão de boa saúde. Os dados económicos que têm sido apresentados revelam uma estabilização em ambos os mercados. Mais: a decisão da Reserva Federal permite que os dois bancos aguardem mais tempo, se quiserem, antes de tomar quaisquer medidas. O Banco de Inglaterra pode abrir a porta a uma subida das taxas no próximo ano, o que pode vir a reforçar a libra esterlina. No que toca ao banco central australiano, as políticas também se deverão manter após as últimas decisões da Fed e do Banco Popular da China. As autoridades australianas deverão continuar numa margem negocial cambial entre os 0,70 e os 0,73 cêntimos.

Business Snapshot: Queda da notação da S&P instala mal-estar entre os sauditas

A Arábia Saudita criticou a descida do rating da dívida pública pronunciado pela Standard and Poor’s na passada sexta-feira. A agência de notação financeira considerou as perspetivas de longo prazo negativas e salientou que a situação pode piorar nos próximos dois anos, se a monarquia não inverter a curva da dívida soberana. Riade denunciou, em comunicado, “uma avaliação reacionária, influenciada por fatores de mercado fluidos”. A medida foi justificada com a preocupação dos investidores perante a queda duradoura dos preços do petróleo.