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Acordo nuclear não acaba com as desavenças entre EUA e o Irão

Há exatamente 36 anos, no dia 4 de novembro de 1979, Teerão foi palco de um cenário que mais parecia saído de uma história de Hollywood

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Acordo nuclear não acaba com as desavenças entre EUA e o Irão

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Há exatamente 36 anos, no dia 4 de novembro de 1979, Teerão foi palco de um cenário que mais parecia saído de uma história de Hollywood.

O deteriorar das relações entre os Estados Unidos da América e o Irão levou a que um grupo de estudantes, apoiantes do Aiatola Ruhollah Musavi Khomeini, tomasse de assalto a embaixada norte-americana em Teerão.

Durante 444 dias, 52 pessoas, membros do corpo diplomático e civis, foram feitas reféns. O grupo de estudantes exigia que lhes entregassem Mohammed Reza Pahlavi, o Xá da Pérsia, que se encontrava nos Estados Unidos, para o tratamento de um cancro. Os revoltosos exigiam que o antigo líder retornasse ao país para ser castigado por todos os atos em nome do regime.

O Xá era acusado de ter entregado 80% das reservas de petróleo aos norte-americanos e britânicos, depois do golpe de Estado que o colocou no poder, em agosto de 1953.

O ataque à embaixada ocorre meses depois de o Xá ter abandonado o país, para “umas férias prolongadas” (janeiro de 1979), num clima de violência e movimentos anti-regime. O Aiatola Ruhollah Musavi Khomeini, então exilado em Paris, regressou ao Irão, que na época ainda se denominava Pérsia, a 1 de fevereiro de 1979, o que contribuiu para um avolumar da instabilidade política e social.

Nas ruas, manifestantes pró-Khomeini, polícias e oficiais de segurança e apoiantes do regime degladiavam-se. Dez dias depois, o primeiro-ministro, Shahpur Bakhtiar, que fora nomeado pelo Xá para liderar o país durante a sua ausência para “férias”, demitiu-se. Após uma vitória num referendo popular, o Aiatola Khomeini instaurou uma República Islâmica e autodenominou-se líder supremo e vitalício do Irão.

Depois de mais de 14 meses em cativeiro, os 52 reféns acabariam por ser libertados no dia 21 de janeiro de 1981.

Situação atual

Décadas depois de sanções e acusações de espionagem, com o Irão a apelidar os Estados Unidos da América de “Grande Satã”, em julho deste ano, 2015, e após um longo processo de negociações, o Irão firma um acordo sobre o seu programa nuclear. O documento estipula a diminuição da atividade nuclear do país em troca da suspensão gradual de sanções, que reduziram as exportações de petróleo iraniano.

Meses depois, o Aiatola Khomenei afirmou, já, que o acordo não implica uma maior aproximação aos Estados Unidos da América. No princípio de novembro, o Irão garantiu ter dado início aos procedimentos necessários para limitar a sua capacidade nuclear.