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Presidentes de Taiwan e da China reunem em Singapura

Cimeira histórica em Singapura. O presidente de Taiwan, Ma Ying-jeou, encontrou-se este sábado com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, o primeiro

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Presidentes de Taiwan e da China reunem em Singapura

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Cimeira histórica em Singapura. O presidente de Taiwan, Ma Ying-jeou, encontrou-se este sábado com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, o primeiro encontro de líderes dos dois territórios desde a separação política, há 66 anos.

A cimeira, que foi preparado durante dois anos, decorreu sob fortes medidas de segurança.

Segundo Ying-jeou, este encontro é um primeiro passo para a normalização das relações entre os dois países, fruto de uma política de aproximação que tem implementado desde que assumiu funções, há sete anos.

Nem todos os taiwaneses partilham, porém, este entusiasmo. Uma parte da opinião pública critica a cimeria, que vê como uma tentativa de colocar em boa luz as autoridades de Pequim e o partido no governo em Taipé, antes das presidenciais de janeiro.

66 anos de conflito

A China não reconhece Taiwan (oficialmente República da China) como Estado. Uma história que remonta a 1949, quando os comunistas de Mao Zedong conquistaram o poder, obrigando os nacionalistas do Kuomintang (KMT, Partido Nacional do Povo) a refugiar-se em Taiwan.

A República Popular da China considera ilegítimo o governo da República da China, que é designado por Pequim como “Autoridade de Taiwan”. Com constituição própria, forças armadas e um presidente eleito de forma independente, Taiwan continua a considerar-se um Estado soberano, com poderes sobre a ilha Formosa e outras ilhas menores.

Em 1950, os planos de Pequim para invadir a ilha foram contrariados pela presença de navios norte-americanos.

O governo chinês foi um dos membros fundadores das Nações Unidas e como tal continuou a ser, com o exílio em Taiwan, o representante da nação chinesa como um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da organização. Esta situação alterou-se em 1971. Com o anúncio, em julho, da viagem a Pequim do presidente dos Estados Unidos Richard Nixon, a Assembleia Geral da ONU aprovou a Resolução 2758, que expulsou da organização a República da China, e passou a reconhecer o governo da República Popular da China como “único representante legítimo da China nas Nações Unidas”. A moção, aprovada em outubro de 1971 com dois terços dos votos, levou vários países a cortar relações diplomáticas com Taiwan.

Relações diplomáticas entre Portugal e a China comunista

Portugal não reconheceu o governo de Pequim após 1949, procurando ao mesmo tempo salvaguardar o estatuto de Macau. Esta posição alterou-se em janeiro de 1975, quando o governo português declarou considerar do maior interesse o estabelecimento de relações diplomáticas com a República Popular da China, passando a reconhecer Taiwan como parte integral da China comunista e anunciando a disponibilidade para negociar com Pequim o destino do território de Macau. Face à nova política do governo português, Taiwan fechou oficialmente a sua representação diplomática em Lisboa em fevereiro do mesmo ano.