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Moçambique: Bispos lamentam incoerência das armas e apelam ao diálogo

Os bispos moçambicanos lançaram este fim de semana um apelo para a resolução dos problemas entre o governo e a Renamo através do diálogo. Em

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Moçambique: Bispos lamentam incoerência das armas e apelam ao diálogo

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Os bispos moçambicanos lançaram este fim de semana um apelo para a resolução dos problemas entre o governo e a Renamo através do diálogo. Em comunicado e à luz dos recentes combates entre as forças armadas moçambicanas e a guerrilha do maior partido da oposição, os membros da Conferência Episcopal Moçambicana deploraram o que dizem ser a “incoerência entre o que é dito e o que é feito”.

A igreja apelou ao abandono completo das armas e ao regresso do diálogo, salientando as consequências terríveis de um conflito armado: morte, sofrimento, êxodo forçado e o empobrecimento geral da nação.

Foto: Comunicado da Conferência Episcopal moçambicana

Recorde-se que nos últimos tempos registaram-se sérios confrontos entre as forças governo e da Renamo materializando um crescente antagonismo. O partido da “perdiz” contesta o resultado das eleições do ano passado e clama vitória em especial em províncias do centro e no norte do país, exigindo para isso a governação dessas regiões.

Por seu lado, o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, já rejeitou essa possibilidade por alegar “incompatibilidade com o resultado eleitoral” mas têm dito que está disponível para dialogar. Mesmo na reunião deste fim de semana com bispos da Conferência Episcopal moçambicana, declarou “estar a fazer o esforço para conversar com ele [Afonso Dhlakama], mas não está a ser possível”.

No entanto, apesar de existirem também sinais da mesma intenção por parte da liderança da Renamo, o diálogo não existe.

No terreno existe apenas violência e não a força das palavras.

No início do mês, o ministro do Interior, Jaime Basílio Monteiro, confirmou a existência de combates e reafirmou intenção de levar a cabo “desmantelamento até ao último ninho de instabilidade”, para dar estabilidade à população. O dirigente afirmou mesmo que as operações tiveram início quando o líder da Renamo foi cercado e interpelado pelas forças de segurança moçambicanas a 9 de outubro. Um episódio que terminou com a confiscação de armas e na detenção temporária da guarda pessoal de Afonso Dlakhama.

Foto: Zonas onde se verificaram confrontos entre militantes da Renamo e as forças de segurança (Fonte: Renamo).

Dlakhama, que já antes teria sido vítima de alegadas emboscadas das forças de segurança, deixou de ser visto e posteriormente sucederam-se confrontos em diversas regiões, em especial nas províncias de Sofala e da Zambézia, no centro.

Poucos dados oficiais foram avançados sobre o número de baixas resultantes dos confrontos, bem como o resultado das operações, certa foi a existência de mortos e feridos.
Moçambique ainda se está a recompor da terrível guerra civil que durou 15 anos entre 1977 e 1992, que provocou milhões de mortos e refugiados. No início de outubro foi anunciado que Moçambique estava finalmente livre de minas, depois de um investimento de mais de 2 mil milhões de dólares.