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Os jardins "secretos" do Mónaco

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Os jardins "secretos" do Mónaco

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A densidade de construção no Mónaco esconde alguns dos jardins mais prestigiados do mundo. Venha conhecê-los, no Monaco Life.

Uma das primeiras coisas a saltar à vista, quando se chega ao Mónaco, é a densidade de construção. Mas se olharmos bem, há inúmeros espaços verdes nos telhados dos prédios. Isto para além dos jardins públicos, conhecidos internacionalmente.

Point of view

No Mónaco, é muito importante ter um espaço no exterior para aliviar todo o urbanismo à volta.

Começamos pelo roseiral da Princesa Grace, renovado no ano passado. Um mundo de fragrâncias ao qual os visitantes podem aceder 24 horas por dia. Há seis mil roseiras, divididas por zonas temáticas – há uma parte dedicada às celebridades, por exemplo -, e espalhadas ao longo de cinco mil metros quadrados.

Jean-Jacques Pinotti, do departamento urbanístico monegasco, explica que foram criados “pequenos caminhos que serpenteiam entre as roseiras. E utilizámos materiais reciclados para os preencher, nomeadamente caroços de pêssegos.”

O roseiral recebeu o rótulo de Espaço Vegetal Ecológico. “Não utilizamos produtos químicos. Temos a ajuda das aranhas, das joaninhas, das moscas das flores. Para tratar as doenças, usamos a homeopatia”, salienta Pinotti. E o mesmo se aplica em todos os espaços verdes do Principado. Para cuidar das palmeiras sem atrapalhar a circulação de peões e carros, os jardineiros recorrem… a drones.

O desenvolvimento do turismo no Mónaco instaurou desde cedo um extremo cuidado com os jardins. Em 1933, foi inaugurado o Jardim Exótico, nascido da paixão de Augustin Gastaud, um jardineiro que se dedicava às chamadas plantas suculentas, como os catos. Jean-Marie Solichon, responsável pelo espaço, realça que “são plantas que têm uma raiz ou um talo mais alargados para armazenar água. O que torna este jardim tão especial é que há várias plantas com mais de um século. Temos catos que são conhecidos como ‘a cadeira da sogra’. Não é propriamente uma planta muito acolhedora. Os americanos dão-lhe um nome um bocadinho mais simpático e poético: ‘os barris dourados’.”

Outro cenário muito verde, mas desta vez com uma inspiração bem específica: o Jardim Japonês, criado no início dos anos 90 pelo arquiteto paisagista Yasuo Beppo. Jean-Jacques Pinotti conta que “o arquiteto fez questão de seguir rigorosamente os preceitos da escola de Quioto. Estamos no reino dos mitos, das lendas, das referências religiosas.”

Tudo, desde a forma das plantas à posição de cada pedra, foi pensado ao milímetro. Literalmente. “O arquiteto paisagista quis incorporar no jardim uma referência ao Mediterrâneo e ao Mónaco. E uma árvore antiga, para ilustrar a relevância da idade avançada, da tradição, da transmissão do saber entre gerações. Isso é algo de muito presente nos jardins japoneses. Um japonês que entre aqui tem quase a impressão de estar em casa”, aponta Pinotti.

No Mónaco, os promotores imobiliários são obrigados a criar jardins nos telhados dos edifícios. Mas, para muitos habitantes, nada disto é uma obrigação. É o caso da família de Aurélie. “Foi a minha sogra que organizou este jardim, foi ela que fez tudo. É tudo biológico: temos tomates, temos uvas… São plantas aqui desta região. Temos oliveiras e muitos catos que exigem alguma manutenção. Os jardineiros vêm cada dois/três meses. No Mónaco, é muito importante ter um espaço no exterior para aliviar todo o urbanismo à volta”, afirma.