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Outono belga atípico coloca em causa produção de cerveja Kriek Lambic

A cerveja Kriek Lambic é considerada uma jóia da gastronomia belga. De fermentação espontânea e feita em tanques abertos, este ano a qualidade pode

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Outono belga atípico coloca em causa produção de cerveja Kriek Lambic

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A cerveja Kriek Lambic é considerada uma jóia da gastronomia belga. De fermentação espontânea e feita em tanques abertos, este ano a qualidade pode sofrer alterações por causa das temperaturas atípicas para a época, no país.

O produtor Jan Van Roy, da cervejaria Cantillon, em Anderlecht, não esconde o desânimo porque se encontra de mãos e pés atados há vários dias: “O tanque está vazio. Normalmente hoje deveríamos fazer a fermentação, mas por causa das temperaturas cancelámos tudo.”

Impotente perante o estado do tempo, o produtor culpa as noites quentes de novembro pela paragem forçada. Um reflexo, diz, das alterações climáticas, que o obriga a esperar por dias mais cinzentos.

“A cerveja não pode arrefecer, simplesmente porque as noites estão bastante quentes. A massa líquida chega aqui a 85-90 graus Celsius e deve arrefecer para 18-20 graus. Com noites de 15-16 graus é totalmente impossível”, sublinha Jan Van Roy.

Regra geral, a produção da cerveja Kriek Lambic arranca em outubro e prolonga-se por um período de cinco meses, mas a tradição já não é o que era, lamenta Van Roy: “O meu avô começava a fermentação em meados de outubro para terminar no início do maio. Atualmente, começamos, na maioria das vezes, no final de outubro, se tudo correr bem, ou no início de novembro. Terminamos no final de março ou início de abril.”

A cerveja é normalmente maturada em barricas de madeira, mas este ano, ao que parece, ainda vai ser preciso esperar mais algum tempo para que a Kriek Lambic possa chegar à mesa em condições.