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Sakena Yacoobi recebe Prémio Wise 2015

Sakena Yacoobi influenciou a vida de mais de 12 milhões de pessoas com o seu esforço para transformar a educação no Afeganistão. O seu trabalho foi

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Sakena Yacoobi recebe Prémio Wise 2015

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Sakena Yacoobi influenciou a vida de mais de 12 milhões de pessoas com o seu esforço para transformar a educação no Afeganistão. O seu trabalho foi recompensado na Cimeira Mundial da Inovação para a Educação, com o Prémio Wise.

Valorizar as mulheres, criar escolas, mudar vidas: são algumas das razões que lhe valeram a atribuição do prémio dotado com meio milhão de dólares.

Como fundadora do Instituto afegão da Educação, Sakena Yacoobi dedicou a vida a melhorar o ensino e a saúde,sobretudo, para meninas e mulheres.

Sakena Yacoobi é originária de Herat, no Afeganistão. Viveu e estudou nos Estados Unidos, trabalhou em campos de refugiados no Paquistão. Durante o regime talibã deu aulas secretas e, desde a queda do regime radical, abriu escolas privadas, um hospital e mesmo uma estação de rádio.

Às mulheres que frequentam os vários centros que criou deixa um apelo: “Peço-vos que aproveitem o que apreendem de diversas maneiras e serão independentes. Não devem vir aqui apenas apreender costura, mas também para trocar ideias e apreender mutuamente.”

Durante o regime talibã, Yacoobi fundou o Instituto afegão da Educação, fornecendo educação a crianças e mulheres e formação a professores. Todos os anos, a ONG ajuda cerca de 350 mil crianças e mulheres, permitindo-lhes ganhar independência económica.

Sakena Yacoobi, fundadora do Instituto afegão da Educação e Prémio Wise 2015, explica: “Cada mulher deve ser autosuficiente, ter confiança. Por isso, os centros devem ser reforçados e autosuficientes. Quando são independentes, honram a sua própria organização e continuamos a abrir novos centros. Os formadores treinam, ensinam e assistem as mulheres. Saem mais confiantes e vão para um outro centro”.

Ruquia Panahi frequentou o centro de educação. Recorda: “A primeira vez que vim aqui, não sabia nada. Era analfabeta e comecei a ter aulas. Quando apreendi a ler e a escrever, candidatei-me às aulas de costura. Agora tenho uma loja, onde ensino duas estudantes. Apreendi tudo aqui. Agora sou uma boa costureira e já não tenho de pedir dinheiro ao meu marido”.

No Instituto afegão da Educação trabalham 480 pessoas, sobretudo mulheres. Já foram criados 340 centros e, quase todos, são autosuficientes.

Sakena Yacoobi: “A educação dá poder, estatuto. Via que estas mulheres eram espertas, inteligentes, mas não tinham oportunidades. Se não fosse o centro, estariam em casa, a cozinhar e a limpar. Agora vêm aqui, trocam ideias, riem, contam anedotas, divertem-se e ganham competências. Apreendem a ler, a escrever. Claro que isso me dá muita alegria e satisfação”.

No bairro de Sufiabad, no norte de Herat, situa-se uma das quatro escolas privadas abertas por Yacoobi. Acolhe 600 alunos que, para além das matérias tradicionais, ganham também competências de liderança.

As escolas são criadas através de doações ou de mensalidades, se os pais puderem pagar a escolaridade das crianças.

Sakena Yacoobi explica o seu objetivo: “Durante toda a minha escolaridade, do 1° ao 12° ano, apreendi sempre através da memorização. Não queria que isso acontece à futura geração de afegãos. Quero que tenham sentido crítico. Que se interroguem. Que se sintam livres nas salas de aula. Não quero que os professores batam nas crianças. Se um professor vai para a aula com amor, com paixão e sabedoria, pode ensinar melhor uma criança do que um professor muito duro”.

Arifa Olomi, formadora de professores, adianta: “A metodologia criada pela professora Sakena Yacoobi, no Afeganistão, baseia-se no ensino ativo e substituiu os velhos métodos de ensino. Há uma frase famosa que diz: Se eu só ouvir vou esquecer, se vejo apreendo e se fizer compreendo. Quando os alunos usam o método e os materiais de aprendizagem, os cinco sentidos são estimulados. Apreendem melhor quando estão ativos em termos mentais e físicos”.

Nascida no Afeganistão, Sakena Yacoobi viveu e lecionou nos Estados Unidos e trabalhou junto de campos de refugiados no Paquistão. Considera o seu trabalho como um dever: “Recordo o Afeganistão quando era criança, era um país bonito. Mas hoje, destruímos completamente as nossas belezas naturais. Por isso, considero que é meu dever e minha responsabilidade fazer o que faço. A motivação vem do amor que tenho pela minha terra. Eu amo o Afeganistão e os afegãos”.

A ONG de Yacoobi forma também enfermeiras, parteiras e outro pessoal da área da saúde para melhorar os cuidados nos hospitais públicos. A ativista explica: “A educação e a saúde estão interligadas, estão relacionadas. A minha visão era criar clínicas para que as pessoas, quando vêm ao médico, possam apreender alguma coisa sobre a própria saúde. Apreender a comer bem, a ter uma boa higiene, a ter um bom saneamento, a tratar doenças simples e a cuidar das crianças”.

O próximo objetivo é abrir uma universidade no Afeganistão. Porquê? “Muitas raparigas não têm as hipóteses que eu tive. Tive um pai fantástico que teve uma relação especial comigo. Hoje, o que quer que concretize, dedico-o ao meu pai. Ele queria que todas as crianças fossem à escola, não fazia a diferença se era rapariga ou rapaz”, afirma.