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Sobrevivente dos ataques em Paris: "devia estar morto"

Os sobreviventes dos ataques em Paris estão a receber apoio psicológico, mas só o tempo pode sarar a ferida aberta a 13 de novembro. Uma adolescente

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Sobrevivente dos ataques em Paris: "devia estar morto"

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Os sobreviventes dos ataques em Paris estão a receber apoio psicológico, mas só o tempo pode sarar a ferida aberta a 13 de novembro.

Uma adolescente conta que o pai estava na sala de espetáculos Bataclan quando tudo aconteceu. O homem de 54 anos escapou com vida e não entende como.

“A primeira coisa que me disse foi: estou vivo, mas devia estar morto. E repetiu isso várias vezes. Para ver se estava vivo um terrorista deu-lhe um pontapé na perna. O meu pai não reagiu. Depois voltou a fazer a mesma coisa três vezes. O que aconteceu a seguir? O atacante deixa o meu pai e dispara vários tiros contra o homem que estava a cerca de 30 centímetros dele” refere Valentine Philonenko, filha de um sobrevivente.

Centenas de pessoas foram transportadas para os hospitais mais próximos. Num curto espaço de tempo, as urgências de Georges Pompidou tornaram-se pequenas para dar resposta aos feridos.

Philipe Juvin responsável pelo serviço de urgências do hospital parisiense trabalhou no Afeganistão e reconhece as dificuldades na gestão de doentes.

“Na realidade todos os dias nos deparamos com pacientes com este tipo de patologias, mas nunca tínhamos recebido cerca de 50 ao mesmo tempo. Nestes casos, é preciso fazer escolhas porque não é possível tratar toda a gente ao mesmo tempo. Recebemos pessoas com ferimentos ligeiros, mas também vimos coisas terríveis. Pedimos às pessoas que foram vistas por um psiquiatra do hospital, na última noite, para que voltassem. Por isso, o trabalho ainda agora começou” afirma.

O responsável pelo serviço de urgências do hospital Georges Pompidou acredita que o número de mortos no Bataclan só não é maior devido à idade da maioria dos espetadores. Muitos dos feridos, afirma, resistiram aos ferimentos porque são jovens.