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Operações policiais em Paris: O que contam as testemunhas

A euronews foi ouvir os habitantes de Saint-Denis sobre as cenas que presenciaram da operação policial desta manhã. Encontrámos várias histórias interessantes.

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Operações policiais em Paris: O que contam as testemunhas

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Na praça junto à Basílica de Saint-Denis, a reportagem da euronews encontrou várias testemunhas da operação policial desta madrugada.

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"O GIGN obrigou-me a sair de mãos no ar, vim para aqui, disseram-me que se baixasse as mãos disparavam."

Esta é uma das zonas mais sensíveis em toda a França.

Os habitantes da zona foram apanhados de surpresa, mas alguns tinham tido um pressentimento de que algo iria acontecer: “Ouvi uma rajada de tiros e desci à rua. Estava vestido, tinha dormido vestido, não sei porquê, tinha tido um pressentimento. Desci, havia gente aqui onde estamos, pus-me aqui porque parecia mais seguro. Fiquei a ver o que se passava. Então a polícia pediu-nos para ir embora. Subitamente, esta praça onde estamos ficou vazia”, conta uma testemunha.

Mehmet é um refugiado curdo a viver em Saint-Denis e gravou uma parte da operação do telemóvel: “Vivo no prédio ao lado. Às duas ouvi um grande barulho, uma explosão. Dois minutos depois ouvi a troca de tiros entre as forças de ordem francesas, o GIGN (Groupe d’Intervention de la Gendarmerie Nationale), e os membros do Daesh. Havia tantos tiros, que nos refugiámos na casa de banho. Durou das 2h até às 3h30 da manhã, sem parar. Vivo com uma amiga. Ela tinha medo, ficou na casa de banho, eu aproximei-me da janela e ouvi explosões de granadas. Ao mesmo tempo, começaram a disparar as metralhadoras e as kalashnikovs”.

As forças especiais acabaram por obrigá-lo a sair de casa, sob suspeita de fazer parte do grupo terrorista. As cenas presenciadas por Mehmet trouxeram-lhe estranhas recordações de casa: “O GIGN obrigou-me a sair de mãos no ar, vim para aqui, disseram-me que se baixasse as mãos disparavam. Evacuaram o outro lado. Estão a ver, ali há uma galeria. Às duas da manhã vi um terrorista a correr com uma kalashnikov na mão, estava lá a polícia também. Parecia uma zona de guerra”.