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Chizhov: "A ação provocatória, por parte do lado turco, terá impacto negativo nas relações bilaterais"

A troca de acusações entre Moscovo e Ancara sobe de tom, depois de um avião militar russo ter sido abatido pelas forças armadas turcas, esta

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Chizhov: "A ação provocatória, por parte do lado turco, terá impacto negativo nas relações bilaterais"

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A troca de acusações entre Moscovo e Ancara sobe de tom, depois de um avião militar russo ter sido abatido pelas forças armadas turcas, esta terça-feira, próximo da fronteira com a Síria.

Em entrevista à Euronews, o embaixador da Rússia junto da União Europeia, Vladimir Chizhov, comentou o incidente.

Andrei Beketov, euronews – A Turquia acusa a Rússia de violar o espaço aéreo do país e de comportamento provocatório. Que responsabilidade é que a Rússia está preparada para admitir?

Vladimir Chizhov, embaixador da Rússia junto da União Europeia – Não se trata de um caso de violação do espaço aéreo turco. Seja de forma voluntária ou involuntária. À velocidade a que tais aviões voam, qualquer entrada ou saída no espaço aéreo de um país vizinho teria sido de escassos segundos. Um período de tempo muito mais curto do que aquele que as forças turcas precisam, neste caso, para reunir-se, descolar e abater o avião russo. É uma indicação clara de que o incidente foi planeado com antecedência.

euronews: A Turquia pode esperar alguma retaliação por parte da Rússia ou medidas fortes de resposta a este incidente?

VC – Claro que, do ponto de vista militar, não vamos declarar guerra à Turquia, mas as operações da força aérea russa na Síria serão mais fortemente protegidas.

euronews – A Rússia já recomendou aos turistas para evitarem viajar para a Turquia.

VC – O alerta baseia-se na preocupação com a segurança os cidadãos russos.Claro que este incidente, esta ação provocatória, por parte do lado turco, terá, seguramente, um impacto negativo nas nossas relações bilaterais.

euronews – A Rússia já registou baixas desde o início da intervenção na Síria. Existe algum arrependimento?

VC – É uma guerra em curso. Infelizmente, pessoas, em particular militares, morrem. É, naturalmente, um acontecimento trágico. Perdemos um piloto. Um dos dois elementos da tripulação a bordo do avião russo morreu. E também um fuzileiro.

euronews – E, anteriormente, houve o caso do avião russo presumivelmente derrubado por uma bomba, no Sinai. Não seria mais fácil para a Rússia não estar na Síria?

VC – Isso teria sido, como dizemos na Rússia, a filosofia de uma avestruz. Esconder a cabeça na areia. Acreditar que não se seria atingido. Porque a praga do terrorismo internacional é omnipresente e todos sabemos, por exemplo, que mais de 2 mil cidadãos russos combatem na Síria ao lado do autodenomiado Estado Islâmico e de outros grupos terroristas. A última coisa que queremos é que essas pessoas regressem à Rússia. O que estamos a fazer é uma tentativa de antecipar o progresso do Estado Islâmico para a Rússia, aliados e vizinhos.