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Terá o nuclear um futuro na transição para uma economia de baixo carbono?

O papel da energia nuclear na transição para uma economia de baixo carbono promete gerar controvérsia na conferência das Nações Unidas sobre as alterações climáticas (COP21), que arranca em Paris na p

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Terá o nuclear um futuro na transição para uma economia de baixo carbono?

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O papel da energia nuclear na transição para uma economia de baixo carbono promete gerar controvérsia na conferência das Nações Unidas sobre as alterações climáticas (COP21), que arranca em Paris na próxima semana.

A indústria nuclear defende que a discussão e a escolha em Paris não deve ser entre nuclear e renováveis, mas sim entre energia de baixo carbono – incluindo a nuclear – e combustíveis fósseis.

Para cumprir os objetivos de redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases que provocam o efeito estufa, o nuclear é uma opção demasiado arriscada, defendem os ambientalistas da Greenpeace:

“A energia nuclear é perigosa e suja. Produz resíduos nucleares que são perigosos porque não sabemos como armazená-los em segurança no longo prazo. Têm de ser geridos durante um período entre 100 a 1000 anos. É também uma energia que pode provocar acidentes terríveis”, afirma Cyrillle Cormier, um especialista em clima e energia da organização ambientalista.

O Japão ainda guarda em armazéns temporários mais de 150 mil toneladas de detritos radioativos do acidente na central nuclear de Fukushima, em 2011.

Mas, para o lóbi do nuclear, esta energia é fundamental para o objetivo de reduzir as emissões poluentes:

“Muitas pessoas acreditam que é possível resolver os desafios climáticos apenas com renováveis e eficiência energética. Mas, o desafio é enorme. Segundo o painel intergovernamental para as alterações climáticas (IPCC), em 2050, 80% da eletricidade no mundo deveria ser de baixo carbono e hoje apenas 30% o é”, refere a secretária-geral da sociedade francesa de energia nuclear, Valérie Faudon.

França é o país do mundo que mais depende da energia nuclear, obtendo atualmente três quartos da eletricidade por esta via. Um relatório da agência estatal francesa de energia e ambiente (ADEME), publicado em outubro, refere que, até 2050, a transição para 100% de energias renováveis tem um custo semelhante ao de manter 50% da produção de eletricidade com recurso ao nuclear.