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Projetos no Uganda e no Egito vencem prémios WISE

Na edição deste ano da Cimeira Mundial para a Inovação na Educação (WISE), seis projetos foram premiados pelas soluções originais que propõem.

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Projetos no Uganda e no Egito vencem prémios WISE

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Qualidade, ensino relevante e infraestruturas são algumas das questões a propósito da educação com que os jovens em África e no Médio Oriente se debatem todos os dias. Na edição deste ano da Cimeira Mundial para a Inovação na Educação (WISE), seis projetos foram premiados pelas soluções originais que propõem. Vamos conhecer dois dos vencedores dos prémios WISE.

Uganda: Educar para os negócios

Cerca de 311 milhões de jovens, em todo o mundo, estão desempregados. Mais do que nunca, põe-se a questão da formação profissional. Em África, o problema é agravado pela falta de empregos profissionais. No Uganda, um projeto acredita que a solução é educar empresários.

Uganda, África Oriental. Um país particularmente atingido pelo desemprego dos jovens. Não só tem uma das maiores percentagens de desemprego jovem, como também a maior taxa de pobreza entre os mais novos. Isto, em grande parte, por ter uma das maiores percentagens de população jovem no mundo. 78% dos ugandeses têm menos de 30 anos. O sistema educativo nacional é ineficaz e ultrapassado.

“A Educate! dá aos jovens a oportunidade de entender, na prática, como se começa um negócio, ainda na escola, e como se trabalha em equipa. Quando deixam a escola, podem mobilizar as comunidades e começar negócios, tanto de grupo como individuais, explica Francis Ndagize, diretor desta organização.

A “Educate!” centra-se num modelo educativo prático, baseado na experiência e dá formação aos professores. Os programas começam nos dois últimos anos da escola e continuam a apoiar os alunos para lá do fim do percurso escolar.

“A Educate! é parceira de escolas secundárias no Uganda para dar um programa que é inovador, tem impacto e é eficiente em termos de custos. Também tentamos sensibilizar os governos para a necessidade de reformas educativas”, diz Hawah Nabbuye, diretora de projetos.

Dezenas de mentores intervêm em cerca de 250 escolas através do Uganda, uma vez por semana. São, na maioria, antigos alunos do programa “Educate!”. Ensinam várias técnicas para se fundar negócios próprios, melhorar o nível de vida e desenvolver a comunidade.

“Quem passou pelo programa Educate! tem 64% mais hipóteses de começar projetos de negócios e 120% mais possibilidades de iniciar projetos comunitários”, diz Miriam Eunice Nabuzaale, uma das mentoras.

Eddy, um dos estudantes a participar no programa, decidiu lançar-se no comércio de coelhos: “Começámos com dois coelhos, um macho e uma fêmea. A determinada altura tínhamos já 40 coelhos. Vendemos dez e conseguimos um lucro de 5000 em cada um, porque os vendemos a 15.000 (xelins do Uganda, 1 xelim = 0,00024 euros). Posso dizer que agora sou um homem de negócios, posso ter os meus projetos”.

Segundo a avaliação interna do “Educate!”, o modelo teve impacto nas duas primeiras classes. Quem acabou o secundário e passou por este programa ganha 160% mais que os outros, em média. 94% deles têm agora um negócio, um emprego ou estão a estudar na Universidade. Há, sobretudo, um claro efeito no otimismo e na criatividade.

O objetivo da “Educate!”, a dez anos, é trabalhar com um milhão de jovens em dez países da África subsaariana.

Egito: A aposta no “crowd sourcing”

Das classes sobrelotadas ao absentismo dos professores – Muitas escolas públicas no Mundo Árabe enfrentam um grande número de problemas. Pode o “crowd sourcing” ser a solução? Um projeto sediado no Egito acredita que sim.

Este não é o primeiro vídeo que Sayed, de 18 anos, faz para a “Nafham”:
http://www.nafham.com/about_us?ref=hp. Contribui para esta plataforma educativa online gratuita com vídeos de 3 a 5 minutos, destinados a outros estudantes. No último vídeo, temos uma lição sobre o velho cairo, no tempo do califado dos Fatimidas: “Estou a fazer pequenos vídeos educativos para os alunos do quinto ano. Tento usar palavras simples e explicações. Na escola, usam quadros e desenhos, mas prefiro mostrar a paisagem aos estudantes. Ajuda-os a aprender as lições cada dia”, diz o estudante.

Sayed está no escritório da Nafham para editar o vídeo. Todos os meses, meio milhão de utilizadores da internet usam esta plataforma. São, na maior parte, egípcios, mas a ferramenta chega também à Arábia Saudita, à Argélia, à Síria e ao Kuwait. O objetivo é apoiar os sistemas educativos, que sofrem com a sobrelotação das classes e com o absentismo dos professores.

“O principal objetivo do Nafham é resolver problemas educativos que enfrentamos no Egito e em todo o mundo árabe – a novidade é que pedimos à sociedade (pais, estudantes e professores) que contribuam para os conteúdos através de vídeos. O que significa que há uma continuidade, aprendem e depois ensinam aos outros. É esse o espírito da educação”, diz Mostafa Farahat, co-fundador da plataforma.

Na Brilliance International School, nos arredores do Cairo, onde estudam mil alunos, o programa da Nafham já foi implementado. Os professores usam os vídeos para as lições. A acreditar nos estudantes e professores, é muito eficaz: “Queremos ensinar a autonomia e a responsabilidade aos estudantes. Graças a este programa, podem trabalhar em casa e aprender a autoeducação. O outro grande objetivo é ajudar os estudantes a serem mais confiantes”, diz Tamer Nemr, professor nesta escola.

Os alunos podem usar a plataforma em casa e repetir as lições de acordo com o ritmo de cada um. É o que Ziyad, de 11 anos, está a fazer: “Às vezes na aula há muito barulho. É difícil ficarmos concentrados e compreendermos a lição. Quando vejo um vídeo sozinho, percebo tudo. Do que gosto nestes vídeos é que podemos ver as vezes que quisermos, até percebermos tudo. Não é como na sala de aula, onde o professor repete a informação só duas ou três vezes”, diz.

A Nafham dá conteúdo académico, mas também informação educativa, a alunos de todas as idades.