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O Banco Mundial quer uma África mais forte e uma economia mais verde

Entrevista com Jim Yong Kim, Presidente do Banco Mundial, realizada durante o dia da abertura oficial da COP21, a Cimeira do Clima das Nações Unidas, que tem lugar em Le Bourget, Paris, entre os dias

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O Banco Mundial quer uma África mais forte e uma economia mais verde

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O Mundo debate, neste momento, as grandes questões relacionadas com as mudanças climáticas na COP 21, a Cimeira do Clima das Nações Unidas. A Euronews conversou com o Presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, dirigente de uma instituição para a qual é fundamental uma política mais amiga do ambiente para o continente africano. Jim Yong Kim abordou também as perspetivas económicas para os próximos meses:

EURONEWS
O Banco Mundial tem novos planos para África. Quais são?

Jim Yong Kim, Presidente do Banco Mundial
Em primeiro lugar, é importante conseguir 16 mil milhões de dólares para ajudar África, porque precisamos de construir um continente mais forte. O continente africano está a perder terra arável e a passar por todo um processo de desertificação, pelo que queremos apoiar o desenvolvimento do que se conhece como “o muro verde.” Queremos desenvolver um muro verde que proteja a terra arável existente dos aumentos de temperatura em caso de fenómenos climáticos extremos. É preciso também entender em que situação nos encontramos em relação à nossa capacidade de adaptação às mudanças climáticas e em relação ao desenvolvimento de uma agricultura mais forte ou cidades mais limpas. Temos de usar toda a informação disponível para ajudar África a desenvolver-se Queremos também desenvolver o uso de energias renováveis, o que nem sempre acontece porque não há recursos.Temos de encontrar formas de financiar eficazmente as energias renováveis.

EURONEWS
Porquê este foco no continente africano?

Jim Yong Kim, Presidente do Banco Mundial
Estamos preocupados, tal como estavam os países africanos, que os debates desta cimeira fossem apenas sobre a necessidade de reduzir as emissões de dióxido de carbono para benefício dos países ricos. Mas os países pobres também quiseram ser tidos em conta, até porque sofrem com a poluição provocada pelos países mais ricos. E uma vez que assim é, penso que poderemos encontrar soluções positivas para África nestes encontros. É preciso um compromisso efetivo para ajudar Africa a adaptar-se às mudanças climáticas, ao mesmo tempo que nos preocupamos pelo seu desenvolvimento. É uma região que tem vindo a crescer de forma muito rápida, embora limitada pelo acesso à energia. Temos de encontrar soluções energéticas mais limpas, o que não vai ser fácil, mas temos a tecnologia e os fundos financeiros para isso.

EURONEWS
Falamos de 16 mil milhões de dólares. Como conseguirão tanto dinheiro?

Jim Yong Kim, Presidente do Banco Mundial
Um terço desse dinheiro virá do Banco Mundial, ou seja, cerca de 5.7 mil milhões de dólares, mas, uma vez que muitos países têm projetos para a região, acho que deverão ajudar. Todos deverão ajudar e apoiar nosso plano.

EURONEWS
Está otimista?

Jim Yong Kim, Presidente do Banco Mundial
Absolutamente!

EURONEWS
Falemos da economia mundial. Que expectavivas para 2016?

Jim Yong Kim, Presidente do Banco Mundial
O crescimento volta a dececionar. A única economia avançada que parece crescer são os Estados Unidos da América.
Mas talvez Banco Federal venha a subir as taxas de juro agora em dezembro. Por outro lado, observo uma importante fuga de capital dos mercados emergentes, pelo que a procura de fundos do banco mundial tem vindo a aumentar bastante. Temos de dar resposta aos bancos que deixam os mercados emergentes com mais fundos. Tudo isto se passa num periodo dificil, mas é, por outro lado, uma oportunidade para encontrar novas formas e oportunidades de investimento nos países emergentes, como nas energias renováveis, por exemplo. Esperamos um crescimento mais baixo nos mercados emergentes, como a Rússia e o Brasil.

EURONEWS
Como descreveria a economia atual em poucas palavras: frágil, a recuperar, ou mais forte?

Jim Yong Kim, Presidente do Banco Mundial
Diria apenas dececionante. Os mercados emergente encontram-se na mesma posição que estavam no fim dos anos noventa ou oitenta e os seus bancos centrais continuam muito dependentes. Esperamos, por outro lado, que ester mercados emergentes, que lideraram o crescimento entre 2008 e 2014 diminuam o seu ritmo de crescimento este ano uma vez que os preços das commodity continuarão baixos no próximo ano.

EURONEWS
Que conselho daria aos líderes mundiais em relação aos próximos meses?

Jim Yong Kim, Presidente do Banco Mundial
Com os possíveis aumentos da Fed norte-americana, todos deverão pensar seriamente nos seus orçamentos de Estado e nas economias nacionais. Muitos países enfrentam reformas estruturais que deveriam ter feito há muito tempo. Deveriam melhorar a legislação empresarial e investir na educação. Temos vindo a dizer isto há já muito tempo. Os países em desenvolvimento deverão ter em conta o tipo de políticas públicas que implementam e de que forma as implementam, pois das suas ações dependerão a entrada e saída de capital nas suas economias. Deverão também preparar-se para um próximo ano, possivelmente mais complicado no plano económico.

EURONEWS
Muito Obrigado.