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Suhail Al Mazroui: "Não vamos depender do petróleo"

Os Emirados Árabes Unidos são pioneiros, na região do Golfo, na diversificação da economia e na redução da dependência das receitas do petróleo.

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Suhail Al Mazroui: "Não vamos depender do petróleo"

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Os Emirados Árabes Unidos são pioneiros, na região do Golfo, na diversificação da economia e na redução da dependência das receitas do petróleo. O Ministro da Energia, Suhail Al Mazroui, conversou com Daleen Hassan, numa entrevista exclusiva, sobre a decisão da OPEP e sobre a estratégia energética dos Emirados Árabes Unidos.

Point of view

Os Emirados adotaram uma política diferente. Em 2021, cerca de 30% da energia será produzida a partir de fontes verdes, que não emitem dióxido de carbono - a partir da energia nuclear ou da energia solar renovável.

Daleen Hassan euronews: Bem-vindo vamos começar com o assunto do momento: os preços do petróleo. Apesar do forte declínio dos preços do petróleo, a OPEP manteve a política de alta produção inalterada. Consegue explicar esta decisão em pormenor?

Ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Al Mazroui: “Creio que temos de olhar para trás e explicar a decisão tomada pela OPEP no ano passado: a decisão de deixar o mercado definir o preço. Somos os produtores com os menores custos de produção. Temos de manter os nossos níveis de produção e entrar no mercado antes dos produtores que praticam valores mais elevados – o que é uma situação normal. Acreditamos que a decisão da OPEP vai estabilizar o mercado e esperamos que o próximo ano seja equilibrado.

Gostaria de fazer referência aos resultados desta política da OPEP. Entre 2013 e 2014 os produtores de petróleo não-membros produziram 2 milhões e 800 mil barris por dia, o que representa um aumento da produção no mercado. Se compararmos este valor com a produção entre 2014 e 2015, verificamos que os produtores não pertencentes à OPEP diminuíram o nível de sobre-produção em 88%.

No entanto, há um problema: temos muitos projetos de exploração e de produção que foram adiados ou cancelados, o custo destes projetos está avaliado em cerca de 150 a 200 mil milhões de dólares. Se todos os produtores decidirem reduzir a produção, quem é que vai produzir petróleo?”

Euronews: “Ouvimos falar de uma divisão, uma diferença de pontos de vista entre as duas equipas na reunião da OPEP. Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita de um lado. E o Irão, Venezuela e Argélia, do outro. Porque é que a proposta da Venezuela, de tomar medidas para interromper o declínio dos preços do petróleo, não foi levada em consideração?”

Ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Al Mazroui: “Antes de mais, todos tínhamos opiniões e fomos discuti-las. Mas, no final, não discordamos. Existem alguns tipos de petróleo fora da OPEP – a produção deste petróleo tem de ser controlada e devem existir custos de extração apropriados. Não queremos que aconteça o mesmo que em 2015; altura em que muitos projetos foram cancelados e havia relutância em investir nas áreas do petróleo e do gás – isso é algo com o qual estamos preocupados. Na OPEP as opiniões entre os membros podem variar de país para país. No entanto, é certo que temos o direito de estar no mercado assim como os outros também têm.”

Euronews: “Mas é uma decisão dolorosa para os Estados do Golfo, muitos dos orçamentos desses países estão dependentes das receitas do petróleo, como vai gerir esta decisão?”

Ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Al Mazroui: “Cortar a produção tendo em vista um determinado preço já não é uma política de sucesso. Certos preços podem ser dolorosos para muita gente, mas também representam uma oportunidade para reduzir os custos, para construir economias diversificadas e acabar com a nossa dependência do petróleo. Nos Emirados Árabes Unidos, começámos a diversificar a economia há anos.

Euronews: “Sobre essa mesma política: os Emirados Árabes Unidos foram um dos primeiros dos países do Golfo a dizer que iria tomar medidas, para diversificar as fontes de rendimento. Quais são os seus planos para diversificar as fontes de receita do país?”

Ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Al Mazroui: “Estávamos dependentes das fontes energéticas, dos combustíveis fósseis e do gás na produção de energia. Os Emirados adotaram uma política diferente. Em 2021, cerca de 30% da energia será produzida a partir de fontes verdes, que não emitem dióxido de carbono – a partir da energia nuclear ou da energia solar renovável.

Esta política faz parte da diversidade de fontes energéticas e também é uma parte importante da diversidade da economia. A nossa economia nacional está agora diversificada, com mais projetos no setor do turismo. Agora, os Emirados Árabes Unidos também produzem no setor petroquímico.

São projetos dentro do nosso território ou projetos dos nossos fundos de investimento fora dos Emirados Árabes Unidos. Esta diversidade é o que nos vai permitir celebrar a exportação do último barril de petróleo. Como Sua Alteza o Sheikh Mohammed bin Zayed disse: “Queremos construir uma geração capaz de celebrar a exportação do último barril de petróleo”, não vamos depender do petróleo, vamos diversificar a economia e continuar com essa estratégia.”

Euronews:“Em julho deste ano, acabou com os subsídios dos combustíveis: vai (vão) haver mais cortes noutros subsídios do governo?”

Ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Al Mazroui: “Os mercados não estavam equilibrados e o governo carregava o fardo das empresas de distribuição e tinha muitos outros encargos que conduziram ao aumento do consumo, da poluição entre outras coisas. Acredito que devemos aproveitar a crise – a crise é sinónimo de oportunidades para nós”.

Euronews: “Crise significa preços baixos?”

Ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Al Mazroui: “A crise económica e os preços baixos do petróleo.”

Euronews: “Menor procura?”

Ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Al Mazroui: “Sim, a diminuição da procura em 2015, por isso fizemos reformas económicas radicais, como a retirada completa dos subsídios aos derivados do petróleo e a colocação em prática de uma nova política – que eu acredito ser bem sucedida. Estamos a continuar com as reformas relativamente aos combustíveis e a outros tipos de energia.

Estamos a trabalhar para racionalizar a utilização da água e da energia, estamos a trabalhar numa estratégia neste momento. A melhor parte é que os consumidores nos Emirados Árabes Unidos estão a colaborar connosco. Como seguimos uma política de transparência na explicação do tema – todos estão a cooperar na mudança dos padrões de consumo, quer na gestão da procura como na parte dos preços.”