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O drama das crianças forçadas a combater no Sudão do Sul

Um relatório da Human Rights Watch conta como o exército recruta crianças à força nas escolas do país.

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O drama das crianças forçadas a combater no Sudão do Sul

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Pelo menos 16 mil crianças pegaram em armas, desde que começou a guerra civil no Sudão do Sul, segundo as Nações Unidas.

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Entram na sala de aula e quando perguntamos o que querem, ainda gozam connosco.

O número está no relatório publicado agora pela ONG Human Rights Watch (HRW), quando se assinalam dois anos desde o início da guerra civil neste país, independente desde 2011.

É prática comum o exército regular do país, fiel ao presidente Salva Kiir, ir às escolas e recrutar crianças à força. A Human Rights Watch entrevistou 74 crianças. Uma em cada três foi obrigada a combater e ameaçada com armas.

Em escolas como esta em Pibor, no leste do país, a prática é habitual, como conta Martha, uma das alunas: “Entram na sala de aula e quando perguntamos o que querem, ainda gozam connosco”, conta.

O exército está oficialmente proibido de recrutar crianças e tem até um departamento de proteção da infância, mas os soldados passam por cima das regras, como explica Bede Shepherd, do departamento dos direitos das crianças da HRW: “O exército do Sudão do Sul emitiu uma circular em que proíbe as tropas de usar as escolas para fins militares, mas essas regras quase nunca são aplicadas, segundo mostra o nosso relatório, infelizmente. O exército tem de punir os comandantes que violam esta ordem”.

As forças leais ao presidente Salva Kiir e os rebeldes, fiéis ao antigo vice-presidente Riek Machar, assinaram um cessar-fogo em agosto do ano passado, mas os conflitos parecem não parar.