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Turquia reforça fronteira com a Síria

A União Europeia prometeu à Turquia 3.000 milhões de euros e concessões políticas a Ancara em troca um melhor controlo das fronteiras, incluindo do fluxo de refugiados proveniente da Síria.

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Turquia reforça fronteira com a Síria

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A Turquia acelerou os trabalhos de reforço da porosa fronteira com a Síria. O posto fronteiriço de Köprübatı, perto de Karkamış é um dos 139 com vista para territórios controlados pelo Daesh, o autoproclamado Estado Islâmico.

Nos 6 km de raia que tem a seu cargo, o Primeiro Batalhão protege a fronteira de tentativas de infiltração, contrabandistas e terroristas. Desde o inicio de 2015, o exército afirma ter capturado mais de 900 jihadistas em posse de passaportes de 54 países diferentes.

“Intervimos cada vez que há um movimento ilegal na nossa área de responsabilidade ao longo da fronteira. As tropas só permitem a passagem em função do que está previsto nos convénios internacionais e nas leis nacionais”, refere o tenente-coronel Ahmet Arik.

O segundo maior exército da NATO, a seguir ao dos Estados Unidos, afirma que 30% das forças terrestres estão ocupadas com o controlo das fronteiras.

Neste momento, está a ser construído um muro, com 81 km, para isolar as províncias de Kilis e Gazientep da região síria de Alepo.

“Para fortalecer a nossa fronteira estamos a instalar blocos de betão, com 3 metros de altura. Esperamos assim melhorar a eficácia no controlo do fluxo de refugiados e travar a violação das nossas fronteiras”, explica o tenente-coronel.

A União Europeia prometeu à Turquia 3.000 milhões de euros e concessões políticas a Ancara em troca um melhor controlo das fronteiras, incluindo do fluxo de refugiados proveniente da Síria.

A Turquia é o país que acolhe mais refugiados sírios, cerca de 2,2 milhões segundo as estimativas da ONU.

“O muro vai reduzir o fluxo de refugiados mas não conseguirá estancá-lo. A Europa pressionou muito a Turquia por causa da segurança das fronteiras e com acusações sobre a passagem de combatentes estrangeiros (para as fileiras do Daesh). A Turquia tomou medidas para acabar com isso e está agora a recambiar esses combatentes para os países de origem, para Inglaterra, França e Alemanha”, afirma o professor universitário Hakkı Caşın.

Os Estados Unidos também têm apelado à Turquia para melhorar o controlo das fronteiras, algo que Ancara mostra agora mais vontade em fazer numa altura em que procura apoio da NATO na querela com a Rússia.

“Com o apoio dos Estados Unidos, a Turquia vai reforçar o controlo na fronteira. Foram mobilizados caças F15 e A-10 norte-americanos, veículos de guerra eletrónica. Também vieram aviões Tornado da Alemanha e tudo isto irá ajudar a blindar a fronteira turca”, refere o professor universitário.

A poucos quilómetros do posto fronteiriço de Köprübatı fica Jarabulus, uma cidade síria controlada pelo grupo Estado Islâmico. O elevado risco de ataques levou as autoridades a declarar a zona com uma “área de segurança especial”

O correspondente da euronews na Turquia, Bora Bayraktar, afirma que “entre prevenir a infiltração de jihadistas do Daesh, por questões de segurança, e a questão humanitária de controlar e gerir o fluxo de refugiados, o exército turco tem tentado manter um difícil equilíbrio. Mas, neste momento, parece que a balança pende para o lado da segurança”.