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Refugiados e migrantes: a luta pela terra prometida

Milhares de pessoas chegam todas as semanas às costas gregas. A maioria deseja obter o estatuto de refugiado, mas nem todos têm, legalmente, esse direito.

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Refugiados e migrantes: a luta pela terra prometida

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Barcos carregados com pessoas continuam a chegar à costa da ilha grega de Lesbos.

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A Europa inteira deve entender que é necessário aceitar estas pessoas. (...) Não há maior pobreza do que sentir-se rejeitado.

Quase 8 mil pessoas chegaram, entre domingo e segunda-feira, a esta região, a maioria das quais vindas do norte de África.

Os sírios, iraquianos e afegãos são levados para um centro de registo e acolhimento de refugiados.

Mas os cidadãos de países como Marrocos, Tunísia, Irão e Paquistão não são considerados como refugiados de guerra, uma vez que os seus países não se encontram, pelo menos neste momento, em conflitos armados.

O mais certo é que quase todos sejam deportados e entregues aos países de origem.

É o caso de Ahmed e Rasidi, dois cidadãos marroquinos que, pela sua nacionalidade, não poderão obter o estatuto de refugiado:

“Aqui não dá para viver, não dá para comer e faz frio”, disse Ahmed, em entrevista à Euronews.

“Não encontraram qualquer solução para os nossos problemas e para podermos seguir viagem. Penso que devem ajudar-nos, aos marroquinos, porque, se ficarmos aqui, morremos”, acrescentou Rasidi.

Ahmed encontra-se num campo de refugiados grego em Eidomeni há seis dias e Rasidi, há quatro.

Tal como eles, milhares de migrantes pagam muito dinheiro para chegar ao Sul da Europa.Dinheiro gasto na viagem, quase sempre em condições muito perigosas e também em documentos falsos, que lhes permitam passar por cidadãos nacionais de países em guerra.

Recentemente, a localidade de Eidomeni recebeu uma visita de uma delegação do Comité Económico e Social Europeu (CESE).

Os membros do CESE encontraram-se com volutários de ONGs no terreno, como Zoe, uma voluntária grega que trabalha no terreno desde abril e para quem é importante defender os migrantes.

“A Europa inteira deve entender que é necessário aceitar estas pessoas. Os governos deveriam entende-lo e entender essa mensagem”, disse Zoe à Euronews.

“A guerra tem de acabar e estas pessoas devem ser ajudadas e sentir-se queridas, bem-vindas”, continuou.

“Não há maior pobreza do que sentir-se rejeitado.”

Em reportagem na localidade de Eidomeni, o correspondente da Euronews na Grécia, Panagiotis Kitsikopoulos afirma que a zona “é, para os gregos, apenas uma zona de passagem dos caminhos-de-ferro que os transportam até aos países vizinhos, mais a norte. No entanto, para os refugiados que vão chegando, trata-se apenas de mais um passo rumo à Terra Prometida: A Europa Ocidental e do Norte.”