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Angola e 2015: o ano dos desafios

O ano de 2015 trouxe grandes desafios a Angola. Questões relacionadas com a justiça e os direitos humanos marcaram as páginas da imprensa um pouco por todo o mundo.

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Angola e 2015: o ano dos desafios

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O ano de 2015 trouxe grandes desafios a Angola. Questões relacionadas com a justiça e os direitos humanos marcaram as páginas da imprensa um pouco por todo o mundo.

Mas o ano que agora acaba foi também um período de projeção internacional para o país. À medida que o Angola aprofunda as suas relações diplomáticas e económicas com o resto do mundo, as forças e fragilidades do sistema político do país africano vão ficando mais expostas.

Aqui ficam alguns momentos marcantes da atualidade política, social e cultural de Angola.

DIPLOMACIA

A 1 de janeiro de 2015, Angola iniciou o mandato como membro não permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. O país é membro da ONU desde 1976.

Angola celebrou em 2015 40 anos de independência, proclamada a 11 de Novembro de 1975. Ao período colonial, sucedeu-se uma guerra civil, cujos efeitos ainda hoje se fazem sentir, apesar de um crescimento económico sem precedentes.

JUSTIÇA

A repressão de protestos pacíficos e a prisão de ativistas de direitos humanos ocuparam as páginas da imprensa um pouco por todo o mundo.

O caso mais emblemático foi o do rapper e ativista luso-angolano Luaty Beirão que fez greve de fome durante 36 dias para exigir justiça e o respeito dos direitos humanos em Angola. Beirão faz parte de um grupo de 17 defensores dos direitos humanos acusados de tentativa de rebelião contra o executivo do Presidente José Eduardo dos Santos. O julgamento arrancou no início de dezembro e deverá marcar a atualidade política angolana em 2016. Beirão recebeu o apoio de manifestantes em Portugal, onde teve lugar uma vigília, em Lisboa.

Em maio, o jornalista Rafael Marques foi condenado a seis meses de prisão com pena suspensa devido à publicação de “Diamantes de Sangue: Tortura e Corrupção em Angola”. Em novembro, o Movimento Mundial para a Democracia subscreveu uma petição sobre Angola, num encontro em Seul. O documento, apresentado por Rafael Marques, denuncia os ataques contra a liberdade de expressão e direitos humanos.

ECONOMIA

A queda do preço do petróleo mergulhou o país na maior crise dos últimos dez anos. O ouro negro é o principal produto de exportação.

O abrandamento da atividade económica e a falta de divisas afetou centenas de empresas e provocou um aumento do desemprego e da pobreza.
O país iniciou entretanto um programa de austeridade que prevê aumento de impostos.

A inflação e o desemprego levaram à convocação de várias greves. Os sindicatos rejeitam a nova Lei Geral do Trabalho alegando que as novas regras favorecem os empregadores.

Angola procura, apesar de muitos dos obstáculos que enfrenta, encontrar novas opções para o desenvolvimento económico para além do petróleo.

CULTURA

Em 2015, a novela angolana Jikulumessu foi nomeada para concorrer ao Emmy Internacional de melhor novela. A obra produzida pela Semba Comunicação para a TPA venceu o Seoul International Drama Awards na categoria série dramática. A telenovela angolana era a única de origem africana entre as 212 obras de 48 países que se encontravam em competição.

Filme de realizadora angolana Pocas Pascoal é exibido nos cinemas franceses. A versão DVD de Por aqui tudo bem foi lançada a 2 de junho. A longa-metragem conta a história de duas irmãs angolanas que se instalam em Lisboa nos anos de 1980, para fugir à guerra civil. Um filme destacado pela Euronews.

A arquitecta Paula Nascimento, que integra a equipa responsável pelo projecto do pavilhão de Angola na Expo Milano 2015, recebeu o prémio Women for Expo. O objetivo da iniciativa é criar uma rede mundial de mulheres que pensem soluções para a fome.