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113, 115, 117 e 118 entram na tabela periódica

Com os quatro novos elementos, fica completa a sétima linha daquela que tamb'em é conhecida como tabela de Mendeleev

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113, 115, 117 e 118 entram na tabela periódica

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Tinha quatro buracos, mas agora está completa. Falamos da sétima linha da tabela periódica – também conhecida como tabela de Mendeleev, o cientista russo que, em 1969, criou a primeira versão.

A União Internacional de Química Pura e Aplicada (UICPA, segundo a sigla inglesa) atribuiu, no primeiro dia de 2016, a descoberta do elemento 113 a uma equipa do Instituto Riken, no Japão, dirigida por Kosuke Morita.

Completa-se assim a sétima linha da tabela periódica, depois de, dois dias antes, a 30 de dezembro, a UICPA ter atribuído a descoberta dos elementos 115, 117 e 118 a uma equipa de investigadores russos e norte-americanos do Instituto Conjunto para a Investigação Nuclear em Dubna, na Rússia, e do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, no Estado norte-americano da Califórnia.

Novos elementos, novos nomes

Os elementos 113 e 115 entram na categoria de metais de pós-transição; o 117 é um halogéneo e o 118 classifica-se como gás nobre.

Temporariamente conhecidos como unúntrio (Uut ou elemento 113), ununpêntio (Uup, elemento 115), ununséptio (Uus, elemento 117), e ununóctio, os novos elementos deverão ser “batizados” durante o corrente ano.

A organização científica responsável pela nomenclatura química já convidou as equipas de cientistas responsáveis pela descoberta dos novos elementos e escolherem um nome e um símbolo que os identifiquem.

Para batizá-los, os investigadores podem inspirar-se em seres mitológicos, minerais, países ou em nomes de cientistas.

Pela primeira vez, poderá haver um nome japonês na tabela periódica, já que esta é a primeira vez que uma equipa de cientistas asiáticos é reconhecida como tendo descoberto um novo elemento químico. Para já, “Japónio” parece ser o favorito – pelo menos, aos olhos dos media japoneses.

Salvar a honra do Japão

Para a equipa de Riken, a atribuição da descoberta do elemento 113 é um novo fôlego e uma oportunidade para reganhar a confiança da comunidade científica, abalada pelo escândalo das chamadas “células STAP”: uma jovem cientista do instituto foi acusada de falsificar dados e fotos que “provavam” a criação de células estaminais a partir de células adultas graças a um procedimento químico inédito.

Afinal, tais células nunca existiram e a cientista em causa, Haruko Obokata, demitiu-se pouco antes do Natal, depois de cerca de um ano de controvérsia.

119?

O líder da equipa japonesa que descobriu o 113, Kosuke Morita, já afirmou que o seu laboratório pretende agora investigar o elemento 119.

A ser descoberto, vai ser preciso criar uma nova linha na tabela periódica. Mas esse será outro capítulo da estória.