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Platini desiste da corrida à presidência da FIFA devido a suspensão

Eleições para a sucessão de Joseph Blatter estão marcadas para 26 de fevereiro. Platini era o mais mediático entre os candidatos confirmados. Restam cinco na corrida, veja quem são.

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Platini desiste da corrida à presidência da FIFA devido a suspensão

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Michel Platini anunciou a desistência da corrida à presidência da FIFA. Em declarações a serem publicadas esta sexta-feira pelo jornal francês L’Equipe, o último presidente eleito da UEFA justifica a retirada da candidatura por não ter tempo para fazer campanha e querer focar-se na sua defesa e em limpar o próprio nome do processo de corrupção que o levou a ser suspenso por 8 anos de todas as atividades ligadas ao futebol.

Point of view

Ao retirar-me, estou a tomar a decisão de dedicar-me à minha defesa e poder limpar o meu nome

“Como é que posso ganhar uma eleição, quando estou incapaz de fazer campanha? Quando me candidatei, recebi o apoio declarado de 150 federações. Tudo em apenas dois dias. Neste momento, tenho de trabalhar na minha defesa e por isso não tenho tempo. Sempre lutei na minha vida, mas infelizmente não me deram oportunidade para lutar nestas eleições”, afirmou.

(Michel Platini: “Retiro a minha candidatura”)

O francês, de 60 anos, lamenta a falta de disponibilidade para estar “junto dos eleitores, conhecer as pessoas e lutar por esta eleição como os outros candidatos”. “Ao retirar-me, estou a tomar a decisão de dedicar-me à minha defesa e poder limpar o meu nome”, reforçou.

Platini foi suspenso pela justiça interna da FIFA por 8 anos de todas as atividades ligadas ao futebol. O francês é acusado de ter recebido cerca de 1,8 milhões de euros em 2011 por alegados serviços de consultadoria prestados à FIFA em 2002.

O pagamento teria sido efetuado pelo suíço Joseph Blatter, o último presidente eleito do organismo que superintende o futebol mundial e que também está suspenso devido a este mesmo processo. Platini alega ter feito com Blatter um contrato verbal, método que é reconhecido pela legislação da Suíça, onde está sediada o organismo.

A justiça interna da FIFA considerou terem existido “abuso de posição” e “conflito de interesses” no caso julgado. As infrações levaram às suspensões semelhantes de Platini e Blatter. O francês mostra-se convicto da inocência e prepara-se para recorrer da suspensão para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS).

As eleições na FIFA estão marcadas para 26 de fevereiro. Com o abandono de Platini, restam 5 candidatos.

 

Candidatos à presidência da FIFA

Gianni Infantino (italo-suíço)

É o número 2 da UEFA e famoso apenas por ser o responsável pelos sorteios da Liga dos Campeões. Jurista, 45 anos, Infantino anunciou a candidatura a 26 de outubro e é, agora, um dos favoritos.

Cheik Salman (Bahrein)

É presidente da Confederação asiática de futebol e vice-presidente da FIFA, tem 49 anos e é outro dos fortes candidatos à sucessão de Blatter. Tem contra si as críticas de diversas organizações de direitos humanos pelo papel, que o próprio refuta, na repressão da revolta democrática de 2011 no Bahrein.

Tokyo Sexwale (África do sul)

Tem 62 anos, foi companheiro de prisão de Nelson Mandela, é reconhecido como um brilhante orador e aparece como o reflexo da renovação reclamada por muitos, sem qualquer ligação aos recentes escândalos de corrupção na FIFA. O sul-africano carece contudo de apoio no mundo do futebol, havendo muitas dúvidas de que consiga seduzir um número suficiente das 209 federações que vão eleger o próximo presidente.

Princípe Ali bin Al-Hussein (Jordânia)

É meio-irmão do rei Abdallah da Jordânia e, aos 39 anos, é o mais novo dos candidatos. Em maio, já havia sido candidato, mas derrotado por larga margem na primeira volta, desistiu a favor de Blatter antes da segunda por clara falta de apoio. Tinha a UEFA do seu lado, mas agora até esse apoio perdeu para Infantino.

Jérôme Champagne (França)

Diplomata de formação, tem 57 anos e conhece bem a FIFA por já ter sido secretário-geral do organismo. Chegou a manifestar a intenção de se candidatar às eleições de 29 de maio, assumindo a possibilidade de retirar do Qatar o Mundial de 2022, mas acabou por não se apresentar à votação por falta de apoio.

(“Será o Cheik Salman o favorito na eleição para a presidência da FIFA?”)