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Calais: Da "selva" para os contentores

As autoridades francesas inauguraram novos alojamentos em contentores para os milhares de migrantes concentrados perto de Calais.

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Calais: Da "selva" para os contentores

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Viviam no acampamento a que chamavam a “selva”. Agora, muitas destas famílias estrearam alojamentos instalados em contentores.

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Para mim, ficar aqui ou ir para os contentores é a mesma coisa. O que eu quero mesmo é pedir asilo na Grã-Bretanha.

É uma melhoria no nível de vida, higiene e dignidade, mas não representa uma mudança drástica na situação dos milhares de migrantes que continuam concentrados perto de Calais, junto ao Canal da Mancha, em França: “Com este campo temporário, eles têm um abrigo em França. O nosso objetivo é fazer com que possam ficar em França e sejam integrados na sociedade francesa”, diz Nicolas Pauliac, da prefeitura do departamento de Pas-de-Calais.

Apesar da boa-vontade das autoridades de Paris, o objetivo dos migrantes é apenas um: Atravessar a Mancha para o outro lado e chegar à Grã-Bretanha. Ahmed é um refugiado sírio: “Para mim, ficar aqui ou ir para os contentores é a mesma coisa. O que eu quero mesmo é pedir asilo na Grã-Bretanha”.

A outra face da moeda é representada pelos habitantes das aldeias vizinhas da “selva” de Calais. Seja em tendas ou contentores, a proximidade do campo é um pesadelo para eles: “Vamos ser obrigados a ir embora daqui. Isto não é normal, os políticos não fazem nada por nós. Somos esquecidos”, diz Noël Lebrun, do coletivo “Les Oubliés” (“Os esquecidos”).

Uma das críticas feitas com maior frequência é a de que a selva de Calais pode servir como plataforma de passagem de “jihadistas” para o Reino Unido, o que é prontamente desmentido pelas autoridades francesas e pelas associações de apoio, que alegam que os potenciais terroristas têm maneiras mais fáceis e menos penosas de atingir o território britânico.