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Síria: "trégua humanitária" não põe fim à guerra de palavras na ONU

O regime sírio e as forças rebeldes testam um primeiro entendimento, ao autorizarem a distribuição de ajuda humanitária a três povoações sitiadas

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Síria: "trégua humanitária" não põe fim à guerra de palavras na ONU

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O regime sírio e as forças rebeldes testam um primeiro entendimento, ao autorizarem a distribuição de ajuda humanitária a três povoações sitiadas.

Mais de 40 camiões do Crescente Vermelho com mantimentos e cobertores entraram esta segunda-feira em Madaya, nos arredores da fronteira com o Líbano.

Trata-se da primeira coluna a conseguir romper o cerco de mais de seis meses das forças sírias e dos aliados do Hezbollah libanês, que teria provocado mais de sessenta mortos na povoação.

“Os grupos islamitas Ahrar al-Sham e frente al Nusra têm comida mas não querem distribuí-la a ninguém. Fomos obrigados a comer ervas”, afirma uma habitante.

A trégua humanitária acordada pelo regime de Damasco era uma das condições exigidas pela oposição para retomar as negociações de paz em Genebra a 25 de janeiro.

Um gesto que não basta para a embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power:

“Há centenas de milhares de pessoas intencionalmente sitiadas, expostas de forma deliberada à fome, neste preciso momento. E estas imagens, recordam-nos a II Guerra Mundial, são um choque para as nossas consciências”.

Já para o embaixador sírio na ONU, Bashar Ja’afari:

“A informação sobre a situação humanitária em Madaya é baseada em informações falsas. (…) O governo sírio não bloqueou nenhuma coluna humanitária, muito pelo contrário, enviámos várias colunas e pedimos à ONU que enviasse mais. Mas quanto mais ajuda se envia a estes terroristas, pois são terroristas e não anjos. Claro que vão confiscar estes mantimentos, em detrimento da população síria”.

O regime sírio cede assim à pressão da opinião pública internacional face às imagens de crianças subnutridas em Madaya.

Segundo fontes diplomáticas mais de 400 pessoas necessitam de ser evacuadas de urgência da povoação.

Ao mesmo tempo outra coluna do Crescente Vermelho penetrou nas aldeias xiitas de al Foua e Kefray, nos arredores de Idlib, cercadas desta feita pelas forças da oposição.

O entendimento desta segunda-feira abalado pelas acusações de que a Rússia teria provocado mais de setenta mortos depois do bombardeamento de uma aldeia nos arredores de Idlib.

Moscovo rejeitou as acusações quando a oposição síria continua a exigir explicações na véspera de discutir em Genebra a formação de um governo transitório e a convocação de eleições nos próximos 18 meses como saída para um conflito que já provocou mais de 250 mil mortos na Síria.