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Parlamento dinamarquês debate medidas para dissuadir chegada de migrantes

A Dinamarca é um dos países europeus que tenta dissuadir a chegada de migrantes e os pedidos de asilo no seu território. Para isso avança com medidas

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Parlamento dinamarquês debate medidas para dissuadir chegada de migrantes

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A Dinamarca é um dos países europeus que tenta dissuadir a chegada de migrantes e os pedidos de asilo no seu território. Para isso avança com medidas polémicas.

O governo dinamarquês prolongou os controlos de identidade na fronteira com a Alemanha. A medida, que tinha sido implementada a quatro de janeiro, foi prolongada por mais 20 dias.

Esta quarta-feira, o parlamento começou também a debater as controversas mudanças na lei da imigração. O governo minoritário pretende confiscar aos refugiados os bens superiores a dez mil coroas, o equivalente a 1300 euros, para pagar o acolhimento no país.

O projeto inicial previa o confisco de bens superiores a 3 mil coroas, o equivalente a 400 euros.

Face às críticas, a ministra da Imigração e Integração, Inger Støjberg, anunciou que, com base no acordo com os opositores sociais-democratas, estão excluídas alianças e objetos de valor sentimental. A lei conta agora com o apoio da maioria dos partidos e poderá ser aprovada no final do mês.

O projeto-lei prevê também o adiamento, até três anos, do reagrupamento familiar de alguns refugiados, a redução das autorizações temporárias de residência e o endurecimento das condições para a obtenção de autorização permanente de residência para todos os estrangeiros.

O documento é duramente criticado pela Agência da ONU para os Refugiados. O novo dirigente da organização, Filippo Grandi, argumenta: “A Europa, tradicionalmente, é um continente que diz aos outros países o que fazer em termos de asilo, pede aos países fora da Europa que aceitem refugiados. Agora a Europa começa a impor limites, a repatriar, a criar barreiras, a ser hostil. Posso dizer que o resto do mundo vai imitá-la”.

Muitos dinamarqueses contestam a política do governo de coligação, que integra parceiros eurocéticos e anti-imigração.

Membro do Grupo “Welcome to Denmark”, Lina Soergaard, defende: “Se olhar para um país como a Suécia, eles aceitaram mais refugiados. Do outro lado está a Alemanha. Nós estamos no meio e não estamos a participar”.

Mais de 21 mil pessoas pediram asilo na Dinamarca no ano passado. Na Suécia foram cerca de 160 mil e na Alemanha perto de um milhão.

A restritiva lei da imigração dinamarquesa aplica-se também a estudantes como Marius Youbi.

O estudante de engenharia elétrica, de 30 anos, originário dos Camarões, foi expulso por ter superado em 90 minutos as 15 horas de trabalho semanais permitidas pela lei para estudantes estrangeiros com empregos.